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Gerry Adams anuncia que deixará a presidência do Sinn Féin em 2018

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DUBLIN — O político irlandês Gerry Adams anunciou, aos 69 anos, que deixará a presidência do Sinn Féin em 2018, no encerramento do congresso do partido, em Dublin, neste sábado, pouco depois de ser reeleito por mais um ano. Militante do partido desde a adolescência, ele ascendeu rapidamente até se tornar o presidente da legenda, em 1983. O político sempre foi acusado por supostas relações com o IRA, cujos atentados e assassinatos deixaram cerca de 1.700 mortos entre os anos de 1960 e 1990. Seu pai foi um membro ativo do IRA, mas Adams, o mais velho de dez irmãos, sempre negou ter pertencido ao grupo apesar de repetidas acusações — nunca provadas — que lhe levaram várias vezes à prisão nos anos 1970.

— A liderança significa saber quando chegou o momento da mudança e esse momento é agora — afirmou, visivelmente emocionado, o homem que preside o partido desde 1983 e que se tornou uma figura central da vida política da Irlanda.

As suspeitas se mantêm até hoje, já que o líder do Sinn Féin nunca condenou o IRA formalmente.

— Realmente ele quer defender a reputação do IRA e celebrar suas ações, embora isso seja politicamente embaraçoso — explicou Malachi O'Doherty, autor de uma biografia recente.

Durante o governo da primeira-ministra Margaret Thatcher, rádios e redes de televisão eram proibidas de difundir a voz de Adams, que sobreviveu a duas tentativas de assassinato dos paramilitares nos anos 1980, enquanto tentava promover a via política para a questão irlandesa. Ainda na década de 1980, foi eleito deputado de Belfast, mas, seguindo a posição do partido, não compareceu ao parlamento de Londres para não ter que jurar fidelidade à rainha da Inglaterra.

Nessa época, o Sinn Féin era considerado a vitrine política do IRA. Em Dublin, o partido passou a ter de um assento no parlamento apenas em 1997, elegendo 23 deputados. Hoje, são 158. Adams é deputado do condado de Louth, na fronteira com a Irlanda do Norte, desde 2011.

Mas o político continuou cercado pela polêmica. Em 2008, um ex-combatente do IRA o acusou de ter ordenado em 1972 o sequestro e assassinato de Jean McConville, mãe de dez filhas, suspeita de ter dado informação à polícia sobre a atividade dos nacionalistas. Ele foi detido e interrogado pela polícia em 2014. Nos últimos anos passou uma imagem mais relacionada ao consenso, com campanhas a favor do casamento homossexual e da adesão à União Europeia. Em 2015 chegou a trocar um aperto de mãos com o príncipe Charles, que visitava a Irlanda, em um gesto simbólico de reconciliação.

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