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Geórgia detém dezenas de manifestantes em ato contra lei de 'agentes estrangeiros'

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Um protesto em Tbilisi, capital da Geórgia, terminou com 66 pessoas detidas depois de confrontos com a polícia na noite desta terça-feira (8). Os manifestantes questionam um controverso projeto de lei em torno da definição de "agentes estrangeiros" que, segundo críticos, pode promover uma guinada autoritária.

O texto, aprovado em primeira votação, obriga organizações da ex-república soviética que recebem mais de 20% de suas receitas do exterior a se registrarem como "agentes estrangeiros". A medida se assemelha a uma lei aprovada na Rússia em 2012 e poderia ser usada contra a imprensa e ONGs.

O Ministério do Interior chamou o protesto de "ataque organizado" contra o Parlamento, e na avenida Rustaveli, principal via que atravessa o centro da capital, houve confrontos com pedras e coquetéis molotov por parte dos ativistas, e gás lacrimogêneo e jatos de água por parte das forças de segurança.

Do lado de fora do prédio, manifestantes chegaram a retirar as barras de proteção que impediam o acesso ao Parlamento. Segundo a pasta, em nota, quase 50 policiais ficaram feridos, assim como alguns civis, classificados pelo governo de "violentos". Neste caso, porém, números específicos não foram divulgados.

Também nesta terça, o premiê da Geórgia, Giorgi Garibashvili, que está em Berlim, reafirmou seu apoio à proposta, defendendo que as medidas atendem aos "padrões europeus e globais". Mas a presidente Salome Zourabichvili, que tem poder de veto, declarou estar do lado dos manifestantes.

"Vocês representam uma Geórgia livre, uma Geórgia que vê seu futuro no Ocidente e não permite que ninguém tire esse futuro", disse ela, em discurso gravado nos Estados Unidos, onde está em visita oficial.

Embora mantenha um acordo de livre comércio com a União Europeia (UE), em vigor desde julho de 2016, a Geórgia não faz parte do bloco e mantém relação complexa, permeada por conflitos, com a Rússia.

Nos atos, ativistas gritavam "não à lei russa" e "vocês são russos" para os políticos no Parlamento. Josep Borrell, chefe da diplomacia da UE, afirmou que a lei é "incompatível com os valores e padrões do bloco" e alertou que sua "aprovação definitiva pode ter graves consequências" para os elos com o país. Novas manifestações foram convocadas pelos partidos de oposição para ocorrerem nesta quarta-feira (8).

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