Gaza vive pior fase da fome segundo ONU; mais de 500 mil pessoas são afetadas
A crise humanitária na Faixa de Gaza alcançou o nível 5 de gravidade em segurança alimentar — o mais alto da escala usada por órgãos internacionais. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), pelo menos 500 mil pessoas vivem em situação de "catástrofe humanitária", com escassez extrema de alimentos, desnutrição severa e alta mortalidade.
O alerta consta em novo relatório da Classificação Integrada de Fases da Segurança Alimentar (IPC, na sigla em inglês), divulgado nesta segunda-feira (29). O documento aponta que 20% das famílias em Gaza enfrentam fome extrema, e 30% das crianças sofrem de desnutrição aguda grave — número que ultrapassa o limite para declarar emergência fase 5. Em alguns pontos da Cidade de Gaza, a taxa chega a 16,5%.
Diante do agravamento da situação, Israel voltou a permitir a entrada de alimentos por via aérea. O país, no entanto, é criticado por bloquear o funcionamento de um sistema de ajuda humanitária mais eficiente e acusa o Hamas de impedir o acesso das cargas às populações civis. A ONU e organizações não-governamentais, por sua vez, afirmam que têm sido impedidas de atuar plenamente no território.
Desde o início da guerra, em outubro de 2023, a ofensiva militar israelense deixou mais de 60 mil mortos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, considerados confiáveis pela ONU. O conflito começou após o ataque do Hamas ao sul de Israel, que resultou em 1.200 mortes e mais de 250 sequestros. A resposta israelense devastou bairros inteiros e levou 2,3 milhões de palestinos ao limite da sobrevivência.
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