DÍLI — Uma operação conjunta entre a Polícia Nacional do Timor Leste e a ONG britânica Sea Shepherd interceptou uma frota de dez barcos pesqueiros chineses carregados com milhares de tubarões, peixe protegido pelas leis locais.
— Era como a cena de um filme de terror, com pilhas e pilhas de tubarões em bolsas — comentou Gary Stokes, capitão do navio Ocean Warrior, da Sea Shepherd, que participou da operação. — Esses barcos conseguem licenças e têm carta branca para fazerem o que quiserem porque não podem ser vistos.
Em comunicado, a ONG informou ter sido procurada pela polícia para auxiliar na localização da frota da Hong Long Fisheries/Pingtan Marine Enterprises. Em fevereiro, o mesmo grupo de embarcações foi flagrado desembarcando uma grande quantidade de tubarões no navio-mãe Fu Yuan Yu Leng 999, que ganhou o noticiário internacional no mês passado, ao ser interceptado no Parque Nacional de Galápagos, no Equador, com 300 toneladas do peixe.
A operação no Timor Leste aconteceu no último dia 9. Com o apoio de drones, o Ocean Warrior localizou a frota chinesa a 150 quilômetros da costa. A localização foi repassada para a polícia, que realizou a interceptação. Coube à ONG documentar em fotos e vídeos o resultado das buscas no interior dos barcos.
— As atividades inescrupulosas de companhias estrangeiras de pesca devem ser paradas no Timor Leste — afirmou o ex-presidente e vencedor do Nobel da Paz, José Ramos-Horta. — Nós devemos proteger nossos recursos naturais, isso é um absurdo.
À BBC, um porta-voz da Pingtan Marine Enterprise afirmou que os barcos operavam legalmente, com permissão do governo local.
— Nós estamos em contato com o governo de Timor Leste neste momento — disse o porta-voz.
As barbatanas dos tubarões são consideradas iguaria na cozinha chinesa, servidas normalmente em sopas. Mas críticos alertam que a pesca para alimentar o mercado chinês está dizimando espécies ameaçados e impulsionando o comércio ilegal.

