Por Leticia Fucuchima
SÃO PAULO, 27 Ago (Reuters) - A companhia francesa Voltalia obteve autorização do governo brasileiro para instalar um data center de 322,5 megawatts (MW) de capacidade projetada no complexo industrial e portuário do Pecém, no Ceará, garantindo isenções fiscais para o futuro mega empreendimento.
A aprovação para aproveitar a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Pecém é um "marco importante" para o empreendimento, disse a Voltalia à Reuters, acrescentando ainda que deverão ser desenvolvidos projetos eólicos dedicados para atender à demanda da instalação.
O investimento total previsto no data center da Voltalia é de R$181,7 bilhões, segundo comunicado do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços na quarta-feira.
Os aportes nesse tipo de projeto costumam ser elevados e divididos entre o operador do data center, que fica responsável pela infraestrutura física, e a empresa usuária, que entra com os computadores e outros equipamentos de TI.
A Voltalia iniciou o desenvolvimento do data center, aproveitando seu conhecimento como geradora de energia elétrica, elemento estratégico para esse tipo de projeto. Futuramente, o empreendimento poderá ser assumido por um operador do segmento ou pelo cliente final do data center.
O ministério disse ainda que o data center deve contar com sistema de água de reuso para refrigeração dos equipamentos e gerar 2.300 empregos diretos na implementação e 400 na fase operacional.
As aprovações para o empreendimento avançam enquanto a Voltalia negocia com potenciais clientes usuários do data center, com o banco Santander tendo sido contratado para buscar o "offtake", disseram à Reuters duas fontes com conhecimento do assunto.
A Voltalia disse que não iria comentar sobre as negociações em andamento, enquanto o Santander não retornou ao pedido de comentário.
A companhia francesa é uma importante geradora de energia eólica e solar, e tem no Brasil uma parte relevante de seu portfólio global.
Nos últimos anos, em meio à piora do setor brasileiro de renováveis, que inviabilizou lançamentos de novas usinas, a empresa se voltou para diferentes negócios, estudando desenvolver projetos de hidrogênio verde e data centers.
Em junho, a empresa divulgou a assinatura de conexão com a rede elétrica nacional para o data center no Pecém. Na ocasião, a empresa disse que estava em "discussões avançadas" com vários operadores do segmento de data centers, e que o complexo cearense oferecia disponibilidade de terra e infraestrutura robusta, representando uma "localização estratégica para projetos digitais de grande escala".
OUTRO PROJETO
O projeto da Voltalia é o segundo a se instalar no Pecém, onde também está sendo construído o data center contratado pela ByteDance, dona do TikTok, hoje o maior data center em desenvolvimento no Brasil.
O empreendimento da ByteDance, em parceria com a Omnia, do Patria Investimentos, e a geradora Casa dos Ventos, terá em sua primeira fase cerca de 200 megawatts (MW) de capacidade de TI e um consumo energético de cerca de 300 MW. No futuro, deverá chegar a 1 GW, consumindo R$200 bilhões em investimentos.
Os empreendimentos em ZPEs avançam em meio a esforços do Brasil para se firmar como um centro global para a crescente indústria de data centers. Muitos projetos ainda aguardam a aprovação do programa Redata, que prevê um regime especial de tributação e deverá reduzir a carga tributária do setor.
Na véspera, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fechou um acordo com a Câmara dos Deputados e o Senado para a votação do Redata e outros temas prioritários ao governo na última semana de funcionamento do Parlamento antes da realização das eleições de outubro.
(Por Letícia Fucuchima; Edição de Eduardo Simões e Roberto Samora)



Aviso