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‘Federalismo na Espanha poderia ser a contraproposta’, diz analista político

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MADRI — O analista político, historiador e doutor em Direito Cesareo Rodríguez-Aguilera de Prat, professor de Ciências Políticas da Universidade de Barcelona, crê ser difícil a mediação internacional para solucionar a crise política.

Sim. Puigdemont adotou uma forma híbrida. A declaração está aprovada, mas sem produzir efeitos imediatos.

Diz ele que apareceram misteriosos mediadores internos e internacionais que querem facilitar o diálogo e insistiram para que dê uma última oportunidade. Mas, certamente as pressões do mundo econômico foram muito fortes. A fuga de empresas foi devastadora. Por outro lado, a divisão da sociedade catalã é total. A manifestação (anti-independência de domingo) foi uma prova disso. O risco de aumentar ainda mais a tensão era muito grande.

Está ganhando tempo. Não sei quanto.

Imagino que tentará convencer o governo de Rajoy a escutar os mediadores, que ninguém sabe quem são. Mas, por mais prestigiosos que sejam, se são estrangeiros, vejo praticamente impossível que o governo central aceite a mediação internacional. Precisamos de uns dias a mais para saber o que está por trás de tudo isso.

Não. Os dois não. É muito provável que intermediários próprios, desconhecidos e discretos, com muita experiência, muito tato diplomático, e muita influência em ambos governos iniciem conversas secretas nos próximos dias.

Acredito que a reforma federal da Constituição, que se submeteria a referendo de todos os espanhóis. Se os catalães a rejeitam, aí não haveria escapatória. Teria que encontrar a maneira, como no Canadá, para realizar o referendo de autodeterminação. Mas há estudos que mostram de dos dois milhões de independentistas, meio milhão são independentistas táticos, ou seja, votaram pela independência para pressionar Rajoy a negociar. No entanto, aceitariam uma boa contraoferta para “arquivar” seu desejo de independência. O federalismo poderia ser a contraproposta.

Não quer falar do federalismo. É incompreensível a atitude do PP: não alterar nenhuma vírgula da Constituição e aplicar a lei, nada mais que a lei. É preciso seguir as leis, mas também, fazer propostas. Me surpreende a total ausência de iniciativa política de Rajoy. É arrastado pelos acontecimentos e não propõe nada. É um político inepto. Tanto Rajoy quanto Puigdemont fariam um grande favor a Espanha se renunciassem. Ambos não se entendem. Devem dar espaço a caras novas.

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