SÃO PAULO, 7 Out (Reuters) - As exportações de carne bovina do Brasil caíram 35,1% em setembro, com impacto da barreira tarifária chinesa, enquanto maiores embarques aos Estados Unidos e União Europeia evitaram um recuo ainda mais acentuado, apontaram nesta quarta-feira dados divulgados pela associação do setor Abiec.
Maior produtor e exportador global, o Brasil embarcou 229,3 mil toneladas de carne bovina no mês passado, com uma redução de 93,2% nas exportações à China, para 12,9 mil toneladas, uma vez que se esgotou a cota com tarifa reduzida estabelecida pelo maior importador mundial.
De outro lado, os envios aos Estados Unidos somaram 48,3 mil toneladas, salto de 389% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo a Abiec, o que se explica pela base mais fraca de comparação devido ao tarifaço no ano passado e também por uma recente condição mais vantajosa para exportadores acessarem o mercado norte-americano.
Em agosto, o presidente norte-americano, Donald Trump, assinou documento para aumentar temporariamente a quantidade de carne bovina magra importada pelos EUA, com eliminação temporária de tarifa extracota de 26,4% para 300 mil toneladas, divididas em três meses. A demanda dos EUA tem sido crescente para suprir um mercado com escassez de animais.
Já os embarques do Brasil para a União Europeia atingiram 20 mil toneladas em setembro, avanço anual de 29,7%, pois empresas correram para certificar produção antes de 3 de setembro, quando venceu o prazo para o início de um embargo europeu ao produto brasileiro.
Após o Brasil não atender exigências do bloco europeu sobre antimicrobianos, a UE retirou o país de uma lista de autorizações, o que indica que as exportações nos próximos meses ficarão dependentes de uma decisão europeia.
RETOMADA DA CHINA
A redução para os embarques à China deixou as exportações brasileiras no acumulado de janeiro a setembro em queda de 0,5% em relação ao mesmo período do ano passado, para 2,43 milhões de toneladas de carne bovina.
A receita com as exportações no ano somou US$14,17 bilhões, crescimento de 14,1% na mesma comparação, disse a Abiec.
Mas, com a aproximação do fim do ano, a indústria já se prepara para as negociações e os embarques destinados ao próximo ciclo da cota chinesa de 1,128 milhão de toneladas, com tarifa reduzida para 12% -- acima disso, a taxa passa para 55%.
Os embarques para a cota de 2027 começam em novembro, de acordo com a Abiec.
(Por Roberto SamoraEdição de Pedro Fonseca)
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