WASHINGTON — Os decoradores presidenciais na História recente americana costumam dar ao Salão Oval a aparência de que um novo ocupante assumiu seu controle. Kaki Hockersmith, decoradora dos Clinton, substituiu metros de cortinas azuis de George H.W. Bush com decorações douradas de seda e trouxe de volta a mesa do navio Resolute, de 1880, usada por John F. Kennedy. O designer de interiores Ken Blasingame trocou o tapete usado por Bill Clinton pelo antigo de Ronald Reagan porque George W. Bush preferia a maneira como o selo presidencial era retratado. Na tarde da posse em 2009, o decorador de Barack Obama, Michael Smith, fez apenas uma simbólica mudança: substituiu o arranjo floral tradicional na mesa de café por uma tigela de madeira com maçãs frescas.
— O mundo estava em crise. Este não era o momento de fazer qualquer coisa importante — disse Smith, que passou a maior parte do tempo tornando as salas das filhas de Obama confortáveis e acolhedoras. — Do lado de fora você podia ver grandes multidões, mas dentro você não podia ouvir nada. Eu estava arrumando camas, mas sabia que estava no olho da furacão.
Agora, com projetistas e designers sob anonimato, mudanças imediatas com certeza já chegaram ao Salão Oval e aos aposentos privados. Trump é extremamente consciente sobre visual. Acompanha de perto o trabalho de arquitetos e designers em seus vários hotéis, condomínios e edifícios — e gosta de usar muitos acessórios e tecidos de luxo, de preferência de ouro ou dourados.
A mudança de estilo nesta nova gestão da Casa Branca pode ser de um grau inédito. Trump tem uma cobertura que mais parece uma caixa de jóias brilhante e dourada no topo da Trump Tower, em Nova York, e nos apartamentos privados no resort palaciano Mar-a-Lago, em Palm Beach (Flórida). Tem ainda um avião particular com fivelas banhadas a ouro 24 quilates nos cintos de segurança.
— Se eu fosse eleito, talvez fizesse alguns retoques, mas a Casa Branca é um lugar especial. Você não quer mexer muito — disse Trump em 2015 à revista “People”.
Além de ser a casa do presidente, a Casa Branca serve como escritório, local para recepções e jantares de alto nível e museu da História americana — repleta de valiosas antiguidades e pinturas. É constantemente objeto de renovação e preservação, nada surpreendente por ser datada de 1800.
Parte dos fundos que o Congresso designa para reparo e restauração da Casa Branca é um subsídio de redecoração de US$ 100 mil destinado aos aposentos privados. Os Obama e outros presidentes recentes recusaram o subsídio, preferindo usar seu próprio dinheiro ou fundos privados. A White House Historical Association, instituição sem fins lucrativos, provê dinheiro a projetos para as salas públicas e às coleções de conservação, e ainda para adquirir artes finas e decorativas.
Mudanças no térreo e no primeiro andar são feitas em consulta com a curadoria da Casa Branca e o comitê de especialistas para sua preservação, criado por Lyndon Johnson em 1964. Enquanto isso, cabe ao presidente decidir o que colocar no Salão Oval, o escritório da Presidência.
— Todo mundo agora personaliza o Salão Oval — diz William Seale, historiador que escreveu livros sobre a Casa Branca. — Eles geralmente não mudam muito de imediato. Mas então podem mudar as cortinas, e todo mundo eventualmente recebe um tapete novo.
Os designers que trabalharam com as famílias presidenciais têm histórias de como foram capazes de realizar de tudo. Kaki Hockersmith lembra que fez mudanças significativas em apenas um dia para os Clinton, porque a então primeira-dama Barbara Bush “foi muito generosa e deu acesso adiantado”. Blasingame conta ainda que se mudou para um quarto após a posse de Bush e passou dez dias organizando tudo para deixar a família confortável. Quando entrou no Salão Oval, viu um filme passar em sua cabeça com as coletivas de imprensa e os discursos à nação que ocorreriam ali.
— Estava apenas fazendo meu trabalho, mas estava participando de algo tão histórico — conta ele.
O mundo do design está esperando para ver qual decorador os Trump escolheram — e está à procura de pistas. A quantidade de ouro e de ornamentações da família aumentou ao longo dos anos. Mar-a-Lago, a propriedade exótica de Palm Beach, tinha a aparência de castelos e palácios europeus, em camadas de folhas de ouro e lustres de cristal.
Trump comprou a casa e os móveis em 1985. Ele e sua família a usaram até 1995, quando o novo presidente a reabriu como um clube privado, mantendo seus quartos pessoais. Os painéis de madeira, o mármore cor-de-rosa, os tetos folheados a ouro e a maior parte da arquitetura original permanecem.
Mas a Casa Branca é como nenhuma outra casa no mundo.
— Você se muda para lá sob escrutínio público e provavelmente não viu muito de onde viverá — lembra Betty Monkman, ex-curadora da Casa Branca. — Quando você caminha para o andar da Presidência, o mundo está assistindo. É uma grande mudança para qualquer família.

