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Exército de Israel anuncia pausa diária em ataques em Gaza; Netanyahu critica

Por Folha de São Paulo

16/06/2024 16h00 — em
Mundo



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Exército de Israel anunciou neste domingo (16) que fará pausas diárias, das 8h às 19h do horário local, nas ofensivas militares sobre uma das principais estradas da Faixa de Gaza de modo a permitir a entrada de ajuda humanitária no território palestino. Os combates na cidade de Rafah, no entanto, não serão interrompidos.

A área de trégua vai de Kerem Shalom, um posto fronteiriço no sul de Israel, à estrada de Salah Al-Din, em Gaza, e ao norte do território palestino, segundo os militares. A decisão foi tomada após discussões com a ONU e outras instituições, de acordo com o comunicado.

O anúncio foi criticado pelo primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, que disse considerar a medida inaceitável segundo um funcionário do governo. O radical ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, foi outro que desaprovou a decisão, dizendo que ela provavelmente partiu de um "idiota" que deveria perder o emprego.

Desentendimentos entre o governo e o Exército sobre a condução da guerra Israel-Hamas têm se tornado cada vez mais frequentes. No início do mês, um dos membros do gabinete de guerra, Benny Gantz, renunciou ao governo acusando Netanyahu de não ter uma estratégia eficaz em Gaza.

O governo sugeriu que Bibi --como é conhecido o premiê-- descobriu o plano militar por meio da imprensa. Analistas ouvidos pelo jornal The New York Times afirmam, no entanto, que é improvável que ele não estivesse ciente do projeto, até porque a divulgação dele parece obedecer a uma estratégia pensada, feita por meio de mensagens adaptadas para diferentes públicos.

O anúncio da pausa ocorre após os países do G7, grupo que reúne as sete maiores economias mundiais, apoiarem na declaração final da cúpula um acordo de cessar-fogo para o conflito apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, no mês passado.

De um lado, assim, ele parece ser uma resposta às demandas da comunidade internacional em relação à extensão da crise humanitária no território palestino.

Ao mesmo tempo, ao negar conhecimento sobre a decisão, Netanyahu estaria buscando manter o apoio de seus aliados na coalizão governista de ultradireita no governo, contra qualquer mínima concessão aos palestinos.

Segundo oficiais militares, a pausa no corredor humanitário entrou em vigor no sábado (15), mas o premiê alega que não soube dos planos até a manhã deste domingo.

"Ele tem uma máscara para cada ocasião", disse Amos Harel, analista de assuntos militares, ao jornal Haaretz. "Aos americanos, precisa mostrar que está fazendo mais para conseguir ajuda. Para o público israelense, ele pode dizer 'eu não sabia'."

Na quinta (13), Biden afirmou havia dito era o Hamas, e não Israel, o principal obstáculo para a implementação do seu projeto de paz, que prevê um cessar-fogo imediato, a libertação dos reféns e a negociação de um acordo de paz que leve à solução de dois Estados.

Os líderes da facção terrorista desmentiram a alegação de Biden, e afirmaram que as mudanças solicitadas no documento não eram significativas.

"O Hamas e os grupos [palestinos] estão prontos para um acordo abrangente que envolva um cessar-fogo, retirada da faixa, reconstrução do que foi destruído e um tratado abrangente de troca", disse Ismail Haniyeh, líder do grupo baseado no Qatar, referindo-se à troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos. A declaração foi feita em um discurso televisionado neste domingo por ocasião do feriado islâmico Eid al-Adha, conhecido como a "festa do sacrifício".

Após oito meses da guerra Israel-Hamas, a região palestina vive uma grave crise humanitária --75% de seus 2,4 milhões de habitantes foram deslocados pelo conflito, e a fome é generalizada. De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, ligado ao grupo terrorista Hamas, a ofensiva israelense deixou pelo menos 37.227 mortos até o momento

A ONU celebrou o anúncio do Exército, mas cobrou que o movimento de ajuda "seja previsível e acelerado" e que as estradas estejam operacionais. O organismo multilateral também pede autorização para a entrada de combustível e para o fornecimento de equipamentos de comunicação e outros materiais necessários.

"Esperamos que isso leve a novas medidas concretas por parte de Israel para resolver os problemas que impedem uma resposta humanitária significativa em Gaza", disse Jens Laerke, porta-voz do escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), à agência de notícias AFP.

"As operações humanitárias em Gaza devem ser totalmente facilitadas e todos os obstáculos devem ser eliminados. Precisamos conseguir entregar a ajuda de forma segura por toda Gaza", ressaltou.

Apesar da pausa, o governo israelense também anunciou a prorrogação do pagamento de hotéis e pensões para moradores retirados de cidades do sul do país até o dia 15 agosto, sinalizando que a ofensiva em Gaza deve continuar pelo menos até a data.


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