Por Kate Holton e Sam Tobin
LONDRES, 5 Out (Reuters) - O irmão mais novo do rei Charles, Andrew Mountbatten-Windsor, está entrando com uma ação judicial contra a polícia para contestar os mandados relacionados à sua prisão por suspeita de má conduta no exercício de cargo público, devido a alegações de que ele teria enviado documentos do governo a Jeffrey Epstein.
O gabinete judicial do Reino Unido, parte do serviço público não político, informou nesta segunda-feira que uma audiência será realizada na quinta-feira, após o ex-príncipe ter solicitado a anulação dos mandados de busca emitidos como parte de sua prisão em fevereiro.
O gabinete judicial forneceu apenas informações limitadas sobre os fundamentos da contestação dos mandados. Especialistas jurídicos afirmaram que mesmo uma contestação bem-sucedida com base em fundamentos técnicos pode não interromper a investigação mais ampla sobre a conduta do ex-príncipe.
O segundo filho da falecida rainha Elizabeth negou qualquer irregularidade em relação a Epstein e disse que se arrepende da amizade entre eles. Seu advogado não respondeu a um pedido de comentário.
Ele foi preso sob suspeita de vazar documentos confidenciais do governo para o falecido Epstein, condenado por crimes sexuais, quando o então príncipe atuava como representante especial britânico para o comércio, entre 2001 e 2011. A polícia ainda não o indiciou e a investigação continua em andamento.
A prisão de Mountbatten-Windsor e a indignação sobre sua relação com Epstein deixaram a família real britânica diante de uma de suas piores crises em 90 anos.
MANDADOS POLICIAIS EM DESTAQUE
A Polícia de Thames Valley, responsável pela prisão, confirmou que está envolvida em um processo judicial relacionado aos mandados obtidos junto à Corte Penal Central, amplamente conhecida como Old Bailey. A polícia se recusou a fazer mais comentários.
O gabinete judicial informou que a audiência desta quinta-feira, que terá início a portas fechadas, está relacionada a uma tentativa da polícia de restringir o acesso a documentos judiciais, sem fornecer mais detalhes.
Caso Mountbatten-Windsor consiga anular os mandados de busca, a investigação ainda poderá prosseguir sem alterações, afirmou Nick Vamos, sócio do escritório de advocacia Peters & Peters.
“Mesmo que houvesse alguma falha técnica nos mandados originais, se isso puder ser sanado, a Corte da Coroa poderá simplesmente permitir que a polícia mantenha todo o material de qualquer maneira”, disse Vamos, que não está diretamente envolvido no caso.
Em fevereiro, Mountbatten-Windsor foi interrogado durante todo o dia por detetives. Uma fotografia da Reuters que capturou o ex-príncipe ao sair da delegacia mostrou-o aparentemente em estado de choque.
Ele foi forçado a renunciar a todas as funções oficiais da realeza em 2019 devido a seus laços com Epstein e, em outubro passado, teve seus títulos e honrarias retirados por seu irmão mais velho, após novas revelações sobre a relação entre os dois. Epstein foi encontrado morto em sua cela na prisão de Manhattan em agosto de 2019, em um caso considerado suicídio.
A notícia da ação judicial foi divulgada pela primeira vez pelo Daily Telegraph.
(Reportagem de Kate Holton, em Londres, e Akanksha Khushi, em Bengaluru)
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