LIMA - Um juiz do Peru emitiu na noite desta quinta-feira, 9, uma determinação para captura nacional e internacional do ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006) e sua posterior prisão preventiva por 18 meses. O político teria recebido US$ 20 milhões em propina da Odebrecht.
O magistrado Richard Concepción, titular do Primeiro Juizado de Investigação da Sala Penal Nacional, declarou fundado o pedido de prisão preventiva solicitado pelo promotor Hamilton Castro, que acusa o ex-presidente de tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
Toledo se encontra fora do Peru e teria passado o final de semana em Paris, ainda que sua residência habitual seja nos Estados Unidos, onde trabalha como pesquisador da Universidade de Stanford. Essa circunstância foi um dos motivos que levou o magistrado a emitir o pedido para que o ex-presidente seja capturado, embora outras razões, tais como complexidade do caso e gravidade dos delitos, também tenham sido apontadas.
Além disso, o juiz disse que os "elementos de convicção" existentes são suficientes e "respaldam com alto grau de fiabilidade" as acusações contra o ex-presidente.
O juiz rechaçou assim a solicitação realizada pelo advogado de Toledo, o ex-congressista Heriberto Jiménez, para que o ex-presidente tivera um regime de comparecimento periódico ante a justiça enquanto a investigação é realizada.
Segundo o promotor Hamilton Castro, a Odebrecht pagou a Toledo US$ 20 milhões em propina pela obras da Estrada do Pacífico, que liga a costa do Pacífico até a fronteira com o Brasil. Em troca, o ex-presidente se encarregaria de ajudar a modificar as cláusulas adicionais do contrato. De acordo com o tribunal de contas peruano, a obra teve um custo final de US$ 2,346 bilhões.
Dos US$ 20 milhões em propinas, a Procuradoria identificou pouco mais de US$ 9 milhões depositados entre 2006 e 2010 em contas de empresas offshore de Josef Maiman, empresário israelense que seria testa de ferro do ex-presidente. A defesa de Toledo nega as acusações. / EFE

