Início Mundo Ex-guerrilheira das Farc pinta o conflito em tempos de conciliação
Mundo

Ex-guerrilheira das Farc pinta o conflito em tempos de conciliação

Envie
Envie

BOGOTÁ - Malena Verde, ou Inty Maleywa, tinha 22 anos quando, em 2003, se formou em publicidade numa universidade de Medellín. Como muitos jovens colombianos de classe média, resolveu virar integrante das Farc. Pegou em armas, mas nunca vivenciou um conflito armado: seu trabalho na unidade Jorge Artel era ensinar desenho e cultura para crianças nascidas nos acampamentos da guerrilha. Agora, com a paz, Inty deixou a organização após 14 anos. Recebe subsídios do governo para participar de eventos culturais que promovam a integração entre os ex-integrantes das Farc e o restante da sociedade.

— Vivo em hotéis e albergues, ainda estou me adaptando à vida aqui fora. Estou lutando pela paz e pela integração, que só virá quando os colombianos tiverem acesso à terra, à soberania alimentar, à educação, casa e saúde. — diz a artista. — O importante agora na Colômbia é podermos pensar diferente sem que nos matem.

E Inty dá sua versão sobre as décadas de conflito. O problema, atesta ela, vem muito antes das Farc, ainda no período da colonização. A guerrilha, para ela, acabou sendo uma bela tentativa das pessoas de romper com a exploração e lutar por uma sociedade mais igualitária. A guerrilha foi perdendo seu propósito “anarquista e igualitário” por conta do narcotráfico. Culpa mais os governos e os Estados Unidos do que os guerrilheiros em si pela violência.

Desenhando sua visão da guerra colombiana em cada década, Inty está famosa. Seu livro, “Desenterrando memórias”, atraiu atenções durante a última feira do livro de Bogotá. Os textos e as pinturas são todos dela. Lá estão a criação das Farc, a violência dos paramilitares nos anos do governo de Álvaro Uribe (2002-2010), a mão dura dos EUA sobre a Colômbia.

Agora, admite, há a oportunidade de o país virar a página e reescrever sua História. A ex-guerrilheira está otimista, apesar dos percalços no acordo de paz.

O último desenho do livro, que retrata a Colômbia do governo de Juan Manuel Santos, traz mais cores e menos violência. Nele, Inty cita vários povos e etnias num clima ainda de tensão, mas de aparente união.

— Quero que meu próximo desenho, o do futuro, com o acordo já implementado, seja ainda mais bonito.

Siga-nos no

Google News