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Ex-diretor do FBI alertou Rússia sobre interferência em eleições

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WASHINGTON — John Brennan, ex-diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) no governo de Barack Obama, afirmou em depoimento nesta terça-feira na Câmara dos Representantes que a Rússia "interferiu descaradamente" nas eleições americanas, mas não confirmou se houve conluio com a campanha de Donald Trump. Ele disse ainda que alertou pessoalmente seu homólogo russo para não intervir nas eleições americanas. Embora diga que não seja possível atestar que houve ligação entre os russos e a campanha de Donald Trump, afirmou que havia muitas “perguntas sem respostas” quando saiu da agëncia, em 20 de janeiro, e que uma investigação era necessária.

Segundo seu testemunho, ele disse por telefone a Alexander Bortnikov, diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB, na sigla em russo) em 4 de agosto que "os eleitores americanos ficariam indignados com qualquer tentativa russa de interferir na eleição" e que tal tentativa "destruiria qualquer perspectiva de curto prazo" de melhores relações entre Moscou e Washington. Bortnikov havia negado duas vezes a ele qualquer tentativa de influência.

— Acredito que fui a primeira autoridade dos EUA a falar com a Rússia sobre isso — disse Brennan ao Comitê de Inteligência da Câmara em uma audiência sobre a interferência russa nas eleições.

Ele disse que pessoas da campanha Trump tiveram interações com autoridades russas que o preocupavam:

— Sei que havia uma base suficiente de informação e inteligência que exigia uma investigação mais aprofundada da CIA — disse ele. — Eu tinha perguntas não resolvidas em minha mente sobre se os russos tinham sido bem sucedidos em conseguir que americanos, envolvidos na campanha ou não, trabalhassem em seu nome, de forma consciente ou involuntária.

Brennan criticou Trump, que revelou segredos sobre o Estado Islâmico passado por outros países aos russos, na reunião que o presidente teve com o chanceler e o embaixador da Rússia em Washington. Segundo ele, se Trump espontaneamente revelou aos russos as informações, ele violou protocolos, disse Brennan. Para ele, tais informações sensíveis normalmente seriam compartilhadas entre duas agências de inteligência parceiras, e não com funcionários visitantes ou embaixadores.

Enquanto isso, no Senado, o diretor de Inteligência Nacional, Dan Coats, depõe sobre a ingerência russa nas eleições e a eventual interferência de Trump nas investigações. Na segunda-feira, o “Washington Post” publicou uma reportagem, com fontes sigilosas, afirmando que Trump havia pedido a Coats para negar provas da intervenção russa nas eleições, mas ele havia se negado a fazer isso. Ao ser questionado pelos senadores, preferiu o silêncio, alegando que não seria apropriado fornecer informações confidenciais de suas conversas com o presidente americano.

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