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Ex-assessor de Trump recusará cooperar em inquérito sobre a Rússia

WASHINGTON — O ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca Michael Flynn vai se recusar a cumprir uma intimação do Comitê de Inteligência do Senado dos Estados Unidos, que pediu a apresentação de documentos sobre seus possíveis vínculos com a Rússia. De acordo com fontes próximas a Flynn, ele apelará à 5ª emenda da Constituição dos EUA, que o protege contra a autoincriminação. O Senado americano investiga uma possível interferência russa na eleição presidencial de 2016.

O general aposentado é testemunha fundamental na investigação e planeja informar o comitê de sua decisão ainda nesta segunda-feira. Flynn foi forçado a renunciar em fevereiro, menos de um mês após assumir o cargo, por não revelar o conteúdo de suas conversas com Sergei Kislyak, o embaixador russo nos Estados Unidos, e então mentir para o vice-presidente Mike Pence sobre as conversas. Os investigadores também analisam uma viagem de Flynn paga por Moscou em 2015, na qual o ex-assessor se encontrou com o presidente russo, Vladimir Putin.

O Comitê de Inteligência do Senado está conduzindo uma das principais investigações do Congresso sobre a suposta interferência russa na eleição presidencial dos Estados Unidos apurando se houve ou não alguma conspiração entre a campanha de Trump e a Rússia. Em abril, o comitê emitiu uma série de pedidos a pessoas ligadas a Trump, em busca de informações sobre negociações com Moscou. Acusado de receber pagamentos de governos estrangeiros, que teriam posteriormente sido ocultados, Flynn se ofereceu para testemunhar diante de comissões do Senado e da Câmara em troca de imunidade. Após ter seu pedido rejeitado, ele se recusou a depor, forçando a comissão do Senado a intimá-lo.

Flynn e outros assessores de campanha de Trump mantiveram contato com autoridades russas através de ao menos 18 ligações e e-mails na corrida presidencial de 2016, disseram à Reuters funcionários antigos e atuais do governo americano. Seis dos contatos foram telefonemas entre Kislyak, embaixador russo nos EUA, e conselheiros de Trump, inclusive Flynn, com quem Kislyak debateu a criação de um canal de comunicação informal entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin. A Casa Branca, os advogados de Flynn e a Chancelaria da Rússia se recusaram a falar sobre os contatos.

A investigação da influência de Moscou nas eleições de novembro está envolvida em uma polêmica ainda maior após a decisão de Trump de demitir o então diretor do FBI, James Comey. Segundo Trump, a pressão de políticos sobre o caso investigado pelo FBI e pelo Congresso é "uma caça às bruxas". Após pressão, o ex-diretor do FBI Robert Mueller foi indicado como promotor especial do caso.

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