A colombiana Martha Liria Sepúlveda foi a primeira pessoa sem estado terminal a ter a eutanásia autorizada no país. Porém, a clínica responsável pelo procedimento informou decisão unânime pelo cancelamento do procedimento de eutanásia. Informam também que a decisão é amparada pelo ministério da saúde. Liria tem esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa, e relata dores e perda do movimento das pernas. A doença provoca a morte gradativa de neurônios responsáveis pelos movimentos, afeta o raciocínio, visão, audição, paladar, olfato e tato e ainda não tem cura.
“Sou uma pessoa católica, Deus não me quer sofrendo e acredito que não quer ver ninguém sofrer. Nenhum pai quer ver seus filhos sofrerem. Para mim a morte é um descanso”, disse em entrevista a emissora colombiana Caracol.
A Colômbia foi o primeiro país na América do Sul a legalizar o procedimento de morte assistida, também chamada de eutanásia, legal no país desde 1997. Mas a prática só é permitida para pacientes com doenças terminais, como forma de abreviar o sofrimento de uma pessoa em situação irreversível, se assim o paciente desejar.
O Ministério da Saúde do país prevê a criação de um comitê para avaliar o procedimento, composto por especialistas que serão responsáveis pelo procedimento. "Através de relatórios atualizados, considerando o estado de saúde e a evolução da paciente, definimos que não se cumpre o critério de doença terminal que havia sido determinado por um primeiro comitê”, decidiu a clínica
O advogado de Liria, Lucas Correa disse à BBC que a decisão é “ilegítima, ilegal e arbitrária” além de violar o o direito da paciente de morrer dignamente. “Eles a estão forçando a viver uma vida que ela não deseja continuar vivendo, com sofrimento e uma dor que ela considera incompatíveis com sua ideia de dignidade”, disse.
A Corte Constitucional, órgão similar ao Supremo Federal no Brasil, aprovou a extensão do acesso à eutanásia para pessoas que não estejam em estado terminal. Foram seis votos a favor e três contra a decisão.

