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Europa teme efeito dominó se extrema-direita holandesa vencer eleições

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BERLIM — A Europa está com os olhos voltados para a Holanda. Se o Partido da Liberdade (PVV), do líder da extrema-direita Geert Wilders, for o mais votado nas eleições desta quarta-feira, especialistas receiam um efeito dominó que poderia abalar os alicerces do bloco. A Holanda é o primeiro de uma série de países com pleitos este ano, que incluem França, Alemanha e Itália. Na tentativa de retomar os votos perdidos, o primeiro-ministro Mark Rutte, do conservador Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD), advertiu os holandeses para que evitassem “a catástrofe”.

— As pedras que já caíram ainda podem ser levantadas — disse Rutte.

O cientista político Joost van Spanje, da Universidade de Amsterdã, receia que a União Europeia possa sofrer um forte abalo — ou mesmo um colapso — exatamente no seu jubileu de 60 anos. Em 25 de março de 1957, Alemanha, França, Itália, Holanda, Luxemburgo e Bélgica assinaram o Acordo de Roma, o primeiro passo para a formação do bloco.

O projeto foi idealizado ainda no trauma provocado pela Segunda Guerra Mundial. Agora, especialistas acham que a UE se vê ameaçada pelo mesmo racismo que desencadeou o conflito.

O problema não é só na Holanda. Muitos acreditam que o risco maior vem de Marine Le Pen, candidata à Presidência da França. E não está sozinha. Vinte e cinco partidos de extrema-direita começaram a formar em 2015 a aliança Europa das Nações e da Liberdade (ENF). Membros, como Le Pen, Wilders e Frauke Petry, do Alternativa para a Alemanha (AfD), reuniram-se em janeiro para desenvolver estratégias comuns. Embora tenham perdido alguns pontos nas últimas semanas, o sucesso de Wilders e Le Pen mostra que está funcionando.

— O método é uma verdadeira encenação, com elementos de teatro, com os quais esses partidos se mostram como a única força política capaz de defender os interesses do povo, como — observa Spanje.

De acordo com o político franco-alemão Daniel Cohn-Bendit, uma vitória de Le Pen seria um golpe do qual a UE não conseguiria se recuperar.

— O efeito de uma possível saída da Holanda da UE (como defende Wilders) seria grave, mas se Le Pen ganhar, o golpe seria ainda pior — diz Cohn-Bendit, advertindo para o perigo de ressurgimento do nacionalismo caso a UE não sobreviva à crise.

Spanje lembra que os holandeses estão conscientes da sua responsabilidade em um momento crucial para o bloco.

— Os partidos democráticos vão fazer todo tipo de aliança para evitar os extremistas de Wilders e o perigo do fim da UE — disse.

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