EUA vacinaram contra Covid 18% das crianças de 5 a 11 anos em 2 meses de campanha

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

14/01/2022 15h35 — em Mundo

BAURU, SP (FOLHAPRESS) - Pouco mais de dois meses após o início da vacinação contra a Covid-19 para crianças entre 5 e 11 anos nos Estados Unidos, menos de duas em cada dez estão completamente imunizadas contra o vírus.

De acordo com dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), até esta quinta-feira (13), 5,1 milhões de crianças dessa faixa completaram o ciclo vacinal contra o coronavírus. Há, segundo o último censo americano, 28,8 milhões de pessoas nesse grupo. O número de vacinados, portanto, equivale a 18,1% do total.

O CDC aponta ainda que as crianças que tomaram ao menos a primeira dose somam 7,7 milhões (27,3% do total).

Entre os grupos etários, a faixa dos 5 aos 11 anos é a mais sub-representada em termos de vacinação nos EUA. Embora representem 8,7% da população americana, as crianças nessa faixa são apenas 2,5% dos que estão com o esquema de imunização completo.

Parte da diferença se explica, claro, pelo tempo da campanha. O FDA, agência americana similar à Anvisa, que regula medicamentos, aprovou o uso emergencial da vacina pediátrica da Pfizer em 29 de outubro de 2021. Dois dias depois, a aplicação foi liberada pelo CDC, e a imunização das crianças começou em 3 de dezembro.

No início, o ritmo foi acelerado. Em duas semanas, quase 10% das crianças americanas entre 5 e 11 anos já haviam recebido a primeira dose. Segundo Jeff Zients, coordenador da resposta da Casa Branca à pandemia, foram necessários quase 50 dias para que os adultos chegassem ao mesmo índice --a vacinação no país começou em dezembro de 2020.

Vieram, porém, os feriados e as festas de fim de ano, que se juntaram às dúvidas e à desinformação sobre a vacina, de modo que a imunização das crianças agora avança lentamente e de forma desigual nos EUA.

De acordo com um levantamento da agência de notícias Associated Press, enquanto o estado de Vermont imunizou 48% de suas crianças, a Califórnia, por exemplo, vacinou 19% e o Mississippi mal passou de 5%.

Especialistas ouvidos pela imprensa americana afirmam que os baixos índices de cobertura vacinal são perturbadores, e que os pais que deixam de vacinar os filhos estão não só assumindo riscos enormes em relação à saúde e à vida social e escolar deles como também alimentando a pandemia.

Os EUA vêm batendo recordes no número de novas infecções, assim como no de hospitalizações, inclusive de crianças e adolescentes.

Na faixa dos 0 aos 17 anos, por exemplo, a taxa de internações, que havia atingido o último pico em setembro, com 0,47 a cada 100 mil habitantes dessa faixa etária, chegou a 1,2 na última terça-feira (11). Em comparação com 11 de dezembro, quando a taxa era de 0,26, houve um aumento de mais de 360%.

O Brasil iniciou, nesta sexta (14), de forma simbólica no estado de São Paulo, a vacinação de crianças entre 5 e 11 anos. Estados e o Distrito Federal já se organizam para a chegada de doses da vacina da Pfizer e, apesar de recomendações do Ministério da Saúde, adotarão estratégias diferentes de aplicação.

A Anvisa autorizou a aplicação do imunizante em 16 de dezembro. A vacinação do público infantil foi incorporada ao Plano Nacional de Operacionalização em 5 de janeiro.


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26/01/2022

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