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EUA planeja dividir Gaza em zonas sob vigilância israelense e internacional

Por Folha de São Paulo

14/11/2025 18h54 — em
Mundo



SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O governo dos Estados Unidos planeja a divisão da Faixa de Gaza sob um esquema de zonas e controle militar israelense e internacional, segundo informações do jornal britânico The Guardian.

Governo Trump propõe dividir Gaza entre zonas "verde" e "vermelha". A primeira, onde uma reconstrução é planejada, estaria sob controle militar israelense e internacional. Já a segunda seria deixada em ruínas, segundo documentos de planejamento militar dos Estados Unidos acessados pela publicação britânica e fontes ligadas ao governo norte-americano.

O ideal seria reconstruir tudo, certo? Mas isso é apenas uma aspiração. Vai levar tempo. Não vai ser fácil.

Oficial norte-americano, sob condição de anonimato, ao The Guardian

Hoje, quase toda população de Gaza (mais de 2 milhões de pessoas) está concentrada na zona "vermelha" -faixa costeira sob destroços que cobre menos da metade da área total do enclave. Dessa população, cerca de 1,5 milhão de palestinos aguardam por itens de abrigo emergencial e centenas de milhares ainda vivem em tendas sem acesso a serviços básicos, como água potável.

Forças estrangeiras seriam inicialmente posicionadas ao lado de soldados israelenses no leste de Gaza. No plano da gestão Trump, as zonas verde -reconstruída- e vermelha -devastada- seriam divididas pela atual "linha amarela" controlada por Israel. O jornal britânico não informa se os documentos mencionam a desocupação do território onde seria delimitada a zona vermelha, caso o planejamento norte-americano entre em vigor.

Planos militares dos EUA levantam dúvidas sobre o compromisso de Washington em transformar cessar-fogo em acordo político duradouro com governo palestino em Gaza. Em outubro, a gestão Trump apresentou um "plano de paz" de 20 pontos que levou a um frágil cessar-fogo entre Israel e Hamas, impulsionado pelos Estados Unidos.

Criação de força internacional de "estabilização" é um dos principais pontos do "plano de paz" de Trump. Os EUA esperam que um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU, que confere um mandato formal à força internacional, seja aprovado no início da próxima semana. Outra expectativa do governo Trump é que detalhes concretos sobre o envio dessas tropas a Gaza sejam divulgados em seguida.

Mediadores internacionais alertaram para situação que "não é guerra, mas também não é paz" em uma Gaza dividida. Ao The Guardian, o diplomata Majed al-Ansari, assessor do primeiro-ministro do Catar e porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, alertou que Gaza corre o risco de deslizar para um "limbo mortal", onde um cessar-fogo está nominalmente em vigor, mas as mortes continuam, com ataques israelenses regulares, uma ocupação consolidada, ausência de um autogoverno palestino e uma reconstrução limitada de casas e comunidades palestinas.


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