WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Ao final da primeira edição da Cúpula da Democracia, os Estados Unidos pediram ao governo brasileiro que amplie a inclusão democrática de negros e indígenas e expanda a aplicação da lei.
"Continuamos a encorajar o governo brasileiro a promover a inclusão social de toda a sua rica e diversa cultura, incluindo afrobrasileiros, povos indígenas e outros grupos por meio do desenvolvimento sustentável, proteção ambiental e expansão da aplicação da lei", disse Uzra Zeya, subsecretária de Segurança Civil, Democracia e Direitos Humanos do governo Joe Biden, pouco após o encerramento do evento.
A cúpula foi realizada ao longo de três dias e teve a participação de representantes de cerca de cem países. Os líderes foram convidados a fazer compromissos para o próximo ano, de como melhorar a participação política e garantir eleições justas. As declarações foram exibidas em vídeos gravados, ao longo de quinta (9) e sexta (10).
Em seu discurso, o presidente Jair Bolsonaro (PL) ignorou escândalos e disse que o país não registra casos de corrupção no governo federal há três anos. Bolsonaro afirmou ainda que o Brasil adotou "o mais ambicioso e abrangente plano anticorrupção da história do país" o governo lançou na quinta um minipacote sobre o tema em evento em Brasília, que pretende regulamentar o lobby, aumentar a transparência da agenda pública de autoridades e garantir proteção ao servidor que denunciar irregularidades.
"O Brasil é a segunda maior democracia do hemisfério e a quarta maior do mundo. Então, o Brasil pode compartilhar uma perspectiva única sobre os desafios em fazer a democracia entregar [resultados] no Hemisfério Ocidental e no Sul Global", comentou Zeya.
A subsecretária disse que a cúpula funcionou como um ponto de partida, e que 2022 será "um ano de ação", no qual os países deverão colocar em prática as propostas feitas. Até a tarde desta sexta, o governo americano não havia divulgado uma lista dos compromissos feitos pelos governos estrangeiros, que deveriam ser relacionados ao combate à corrupção e ao autoritarismo e à proteção aos direitos humanos.
Assim, o final do encontro foi marcado por poucos anúncios, sem uma declaração final conjunta. Na fala de encerramento, Biden repetiu frases que havia dito na quinta sobre a importância da democracia, e deu como exemplo de acordo uma nova aliança formada por Panamá, Costa Rica e República Dominicana, para fortalecer suas instituições e ampliar a transparência.
Até agora, entre medidas práticas do encontro, o governo dos EUA anunciou um pacote de US$ 424 milhões para iniciativas em cinco áreas: apoiar a imprensa independente, combater a corrupção, reforçar reformas democráticas, adotar novas tecnologias e defender a realização de eleições. A destinação exata dessas verbas, no entanto, ainda será definida nos próximos meses.
Já o Departamento de Estado dos EUA criou uma Coordenação Anticorrupção Global, para integrar e ampliar ações e colocar em prática estratégias para dificultar a circulação de dinheiro público roubado pelo mundo
Além disso, foi lançada uma iniciativa para conter o mau uso da tecnologia por governos, como mecanismos para espionar cidadãos e censurar conteúdo. A proposta, no entanto, foi endossada só por Canadá, França, Holanda e Reino Unido.



