SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos mataram seis pessoas ao atacarem duas embarcações no Pacífico no domingo (9), segundo anúncio do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, feito nesta segunda (10).
Com a nova ofensiva, ao menos 75 pessoas foram mortas pelo governo de Donald Trump na região nos últimos meses.
Hegseth foi às redes sociais, como de praxe, para divulgar um vídeo das ações e afirmar que os dois barcos carregavam drogas acusação feita em todos os ataques anteriores e para a qual Washington ainda não apresentou evidências.
"Ambos os ataques ocorreram em águas internacionais, e havia três narcoterroristas do sexo masculino a bordo de cada embarcação. Todos os seis foram mortos. Nenhuma força norte-americana foi ferida", escreveu.
"Sob a liderança do presidente Trump, estamos protegendo nossa pátria e eliminando esses terroristas de cartéis que desejam causar dano ao nosso país e ao nosso povo."
O ataque ocorreu no mesmo do discurso do presidente Lula (PT) na 4ª cúpula UE-Celac, na Colômbia, que criticou a ofensiva militar na região sem citar os Estados Unidos diretamente. O presidente brasileiro afirmou que "velhas manobras retóricas" estão sendo usadas para justificar intervenções ilegais na América Latina.
"A ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais. Somos uma região de paz e queremos permanecer em paz. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional", disse Lula.
O evento teve uma plateia esvaziada de líderes pelo temor de diversos países de entrarem na mira de Trump, que impôs sanções contra o presidente colombiano, Gustavo Petro.
O direito internacional não permite ataques contra pessoas que não ofereçam perigo iminente a não ser que se tratem de combatentes inimigos em um contexto de conflito armado do contrário, seria apenas assassinato.
Em nenhum dos casos os suspeitos foram interceptados ou interrogados, e Washington tampouco divulgou provas de que seus alvos estivessem envolvidos com o tráfico de drogas ou representassem uma ameaça aos EUA.
A ação militar, que envolve o envio de navios para o Caribe e caças para Porto Rico, é vista como forma de pressionar ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, a deixar o poder. Trump afirma que o venezuelano lidera uma rede de tráfico de drogas chamada Cartel de los Soles, cuja existência é contestada por especialistas.

