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EUA impõem sanções a grupo 'violento e extremista' de Israel acusado de obstruir ajuda à Faixa de Gaza

Por Folha de São Paulo

14/06/2024 18h30 — em
Mundo



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo dos Estados Unidos impôs nesta sexta-feira (14) sanções aos integrantes de um grupo de Israel, descrito como extremista e violento, que são acusados de obstruir a distribuição de ajuda humanitária para a população palestina na Faixa de Gaza

A medida reforça o posicionamento crítico que o governo de Joe Biden passou a adotar contra líderes e grupos israelenses. A menos de cinco meses da eleição presidencial americana, o democrata tem sido alvo de protestos devido ao apoio de Washington a Tel Aviv --os EUA são os maiores aliados de Israel.

O grupo sancionado é o Tzav 9, formado por integrantes de direita, alguns dos quais extremistas e com ligações a reservistas do Exército israelense e a colonos do país na Cisjordânia ocupada.

"Os indivíduos do Tzav 9 tentaram repetidamente impedir a entrega de ajuda humanitária a Gaza, inclusive bloqueando estradas, por vezes de forma violenta", afirmou o Departamento de Estado em comunicado. "Eles também danificaram caminhões que transportavam ajuda e despejaram os itens nas estradas."

O Departamento de Estado mencionou um ataque ocorrido em 13 de maio, quando membros do Tzav 9 teriam saqueado e queimado dois caminhões perto de Hebron, na Cisjordânia, que transportavam ajuda.

O Tsav 9 --palavra hebraica que significa Ordem 9, uma referência às ordens de convocação dos reservistas militares israelenses-- disse na ocasião ter agido para impedir que os suprimentos chegassem ao Hamas. O grupo ainda acusou o governo israelense de "dar presentes" à facção terrorista.

No comunicado em que anunciou as sanções, o governo americano pontuou que a distribuição de ajuda é essencial para mitigar a fome e evitar o agravamento da crise humanitária nos territórios palestinos. "Não toleraremos atos de sabotagem e violência contra as ações de ajuda."

As sanções foram impostas no escopo de uma ordem executiva sobre a violência na Cisjordânia assinada pelo presidente Biden em fevereiro. A medida já havia sido usada para impor restrições financeiras a extremistas islâmicos e a colonos de Israel envolvidos em ataques contra palestinos.

As sanções congelam todos os bens que o Tsav 9 e alguns de seus integrantes possuem sob a jurisdição dos EUA. Também impedem que os americanos negociem com o grupo.

O Tsav 9 foi listado como sancionado no site do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro nesta sexta. A agência de notícias Reuters foi a primeira a noticiar as sanções.

"Estamos usando a autoridade para sancionar cada vez mais atores, visando indivíduos e entidades que ameaçam a paz, a segurança e a estabilidade da Cisjordânia, independentemente de religião, etnia ou localização", disse à Reuters Aaron Forsberg, diretor do escritório de política e implementação de sanções do Departamento de Estado americano.

O grupo que atua com direitos humanos Democracia para o Mundo Árabe Agora (DAWN, na sigla em inglês) já havia pedido sanções ao Tsav 9. Segundo a organização, o grupo israelense arrecada fundos de empresas israelenses e de organizações sem fins lucrativos israelenses e americanas.

Na guerra Israel-Hamas, palestinos e grupos de direitos humanos acusam o Exército israelense de não intervir em ataques de colonos na Cisjordânia. Tel Aviv nega as acusações de negligência --no ataque do dia 13, autoridades disseram que prenderam quatro dos envolvidos na ação, incluindo um menor de idade.

A maior parte dos palestinos enfrenta fome e desnutrição enquanto Israel continua os ataques na guerra iniciada em outubro passado e que já matou pelo menos 37 mil pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas. O próprio governo de Israel também é acusado de bloquear ajuda humanitária, o que autoridades do país negam.

Também nesta sexta, as Brigadas al-Qassam, o braço armado do Hamas, disse que mais dois reféns israelenses foram mortos em um ataque aéreo de Israel na cidade de Rafah, no sul de Gaza. A ação teria ocorrido "há alguns dias".


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