Por Sarah Morland
3 Set (Reuters) - Os EUA impuseram, nesta quinta-feira, novas sanções a cinco empresas cubanas e a um neto do líder revolucionário Raúl Castro, de 95 anos, enquanto o governo Trump intensifica a pressão econômica sobre a ilha caribenha governada pelos comunistas.
O Departamento de Estado dos EUA informou que estava sancionando Fidel Ernesto Castro, de 31 anos, por ser um parente adulto de outros membros da família Castro que já estavam sob sanções.
Seu avô foi uma figura fundamental da revolução cubana de 1959 e liderou o país a partir de 2006, quando seu irmão, Fidel Castro, adoeceu. Ele exerceu a Presidência até 2018, mas continua a exercer influência significativa no governo.
Washington também impôs sanções ao Banco Exterior de Cuba, um banco estatal, a duas empresas envolvidas na indústria de mineração de níquel de Cuba e a duas empresas atuantes no setor energético cubano, que passa por dificuldades, incluindo uma empresa importadora de petróleo.
SITUAÇÃO GRAVE EM CUBA: ONU
Desde o início deste ano, os EUA impuseram um bloqueio ao acesso de Cuba ao petróleo, ameaçando aplicar tarifas sobre mercadorias de países que continuem a enviar suprimentos para lá.
Isso agravou uma rede elétrica já frágil, causando repetidos apagões em todo o país e limitando ainda mais o transporte de mercadorias e o acesso da população aos serviços de saúde. A Organização das Nações Unidas alertou que a situação pode se transformar em uma crise humanitária.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que as últimas sanções foram uma resposta às elites cubanas que supostamente se enriquecem às custas da população e buscam “exportar a ideologia marxista subversiva para os Estados Unidos”.
“As elites do regime comunista de Cuba governam um Estado falido onde os cubanos comuns passam fome”, disse ele em uma postagem no X.
O Ministério das Relações Exteriores de Cuba não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Em entrevista publicada no jornal estatal Granma na manhã desta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, acusou Washington de ser responsável pela crise em Cuba e de inventar as ameaças que o país supostamente representa.
“A verdade é que Cuba não ameaça a segurança nacional dos EUA nem a economia norte-americana, nem deseja fazê-lo”, disse ele. “A acusação de que Cuba supostamente patrocina o terrorismo, na verdade, revela a falta de seriedade do governo dos EUA.”
Washington tem afirmado que suas medidas contra Cuba são uma resposta a uma ameaça à segurança nacional, alegando que o governo cubano apoia grupos terroristas e restringe os direitos humanos. Também afirma que deseja mudar a atual estrutura de poder.
Mais tarde, nesta quinta-feira, Cuba divulgou novas regulamentações destinadas a atrair investimento estrangeiro, comércio e turismo para a ilha caribenha, à medida que continua a adotar reformas de livre mercado em meio à pressão dos EUA e à crise econômica.
(Reportagem de Sarah Morland e Iñigo Alexander na Cidade do México e de Bhargav Acharya e Ismail Shakil em Ottawa; )



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