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EUA e Brasil devem registrar salto nas exportações de etanol

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EUA e Brasil devem registrar salto nas exportações de etanol
EUA e Brasil devem registrar salto nas exportações de etanol

Por Marcelo Teixeira

NOVA YORK, 15 Mai (Reuters) - Os Estados Unidos e o Brasil, os dois maiores produtores de etanol, estão prevendo um salto nas exportações do biocombustível este ano, devido aos movimentos de vários países consumidores para aumentar suas fontes de combustíveis, à medida que a crise do Estreito de Ormuz se arrasta.

Os EUA estão observando um salto de 20% nas exportações de etanol até agora neste ano, além dos embarques recordes do ano passado, enquanto o Brasil pode mais do que dobrar suas vendas externas na nova temporada comercial (2026/27) que começou em abril, disseram representantes do setor de biocombustíveis à Reuters nesta semana.

O novo mercado seria uma bênção para os produtores e processadores de milho nos EUA, bem como para os produtores e usinas de cana no Brasil, pois eles aumentariam a produção e a demanda por grãos e sacarose, sustentando os preços desses mercados.

Seria uma nova chance para um antigo plano dos dois países de criar um mercado global de etanol que já foi discutido e acordado entre o presidente dos EUA, George W. Bush, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, durante uma visita de Estado do norte-americano ao Brasil em 2007.

O grupo do setor de etanol dos EUA, RFA, afirma que as exportações de 638 milhões de galões no primeiro trimestre foram 20% maiores em relação ao ano anterior.

A consultoria brasileira Datagro estimou que as exportações de etanol chegarão a 2,2 bilhões de litros (581,1 milhões de galões) na nova temporada, ante 1 bilhão de litros na anterior.

"Há países em todo o mundo que estão procurando colocar as mãos em qualquer fonte de combustível líquido que possam encontrar", disse Geoff Cooper, chefe-executivo da RFA, acrescentando que os preços do etanol dos EUA são atualmente competitivos em comparação com a gasolina.

Vários países, especialmente na Ásia, estão aumentando as taxas de mistura de etanol na gasolina, disse o analista-chefe da Datagro, Plinio Nastari.

"Alguns deles têm alguma produção, mas precisarão importar parte desse etanol", disse ele.

Mesmo que haja um acordo em breve entre o Irã e os EUA para reabrir Ormuz, os fabricantes de energia renovável acreditam que o aumento da demanda veio para ficar, devido à segurança energética.

Países de todo o mundo querem reduzir sua dependência de uma grande fonte de energia, como o Oriente Médio, onde as tensões provavelmente continuarão altas mesmo que haja um acordo, disse Shameek Konar, chefe de energia da Ara Partners, uma empresa de private equity que investe em projetos de energia renovável nos EUA, incluindo biocombustíveis.

"Esse conflito colocou a segurança energética no foco de todos os formuladores de políticas do mundo", disse ele durante uma apresentação na BMO Farm to Market Conference, em Nova York.

O Brasil aumentará a produção de etanol em cerca de 4 bilhões de litros na nova temporada, atingindo um recorde de 41,4 bilhões de litros, informou a Datagro.

Os EUA acrescentarão 1 bilhão de galões de capacidade de produção de etanol em 12 a 18 meses, disse a RFA.

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