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EUA: ‘Dreamer’ mexicano se refugia em igreja com filho sofrendo de leucemia

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PHOENIX, EUA — A notícia de que Jesus Berrones seria deportado surpreendeu seu advogado, sua mulher — uma cidadã americana — e ele próprio numa quinta-feira. Berrones foi trazido para os EUA do México quando tinha apenas 1 ano e 5 meses de vida. Cresceu no Arizona, estudou toda a vida em Phoenix e iniciou uma família. Morou no subúrbio de Glendale e se concentrou em criar os cinco filhos, principalmente Jayden, de 5 anos, diagnosticado com leucemia em 2016.

Nos últimos dois anos, Berrones, de 30 anos, esteve junto a um advogado especializado em causas migratórias, Garret Wilkes, para tentar regularizar sua situação. Autoridades tinham deixado que ele ficasse no país e tentasse conseguir permissões de trabalho, contanto que se apresentasse regularmente ao posto local da Agência de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE, na sigla em inglês). Berrones, que sob o governo de Barack Obama tinha a permanência nos EUA permitida por não ter histórico criminal, viu a vida mudar sob Donald Trump, que abriu caminho às deportações e ao aumento das detenções de não criminosos conduzidas pelas autoridades no último ano.

Em sua última apresentação ao posto de imigração em dezembro, Berrones foi avisado que seria deportado em 30 dias. Seu advogado apresentou uma petição para a suspensão do processo, confiante de que seria concedida, porque um juiz fez o mesmo para seu cliente em 2016. Mas o pedido foi rejeitado. E, logo depois, a ICE deu a Berrones a notícia de que ele teria de se apresentar a um dos postos de imigração na segunda-feira seguinte, quando seria deportado imediatamente.

Alarmado, Wilkes tentou resolver a situação como pôde. No dia seguinte, uma sexta-feira, partiram todos para uma igreja no Norte de Phoenix, onde ele buscaria asilo, num último esforço.

O advogado ficara sabendo que a Shadow Rock United Church of Christ asilava imigrantes irregulares, o que ajudaria Jayden. O garoto vai uma vez por mês até o Hospital para Crianças de Phoenix para fazer quimioterapia intensiva. Com a gravidez de Sonia, mulher de Berrones, ele é o único que pode cuidar de Jayden enquanto o pequeno não está no hospital. Agentes da ICE evitam atuar em “locais sensíveis” como igrejas, hospitais e escolas.

Ken Heintzelman, pastor da igreja, afirmou ao “Arizona Republic” que a congregação permite “de braços abertos” que Berrones more ali.

— Ele cruzou o deserto duas vezes e colocou sua vida em risco para poder ser pai e cuidar de sua família. Ele deveria ser admirado em vez de julgado, punido e deportado — disse o pastor.

A expectativa aumentava conforme a fatídica segunda-feira se aproximava, até que no dia marcado a ICE contactou seu advogado garantindo outro ano de suspensão da deportação.

— Minha família começou a gritar. Estavam tão felizes, e eu também — disse Berrones.

Agora, seu próximo passo é renovar sua autorização de trabalho e continuar a buscar residência legal, enquanto espera o tratamento do filho (que deve durar mais dois anos).

Apesar da permissão, Wilkes é cético:

— Autoridades da ICE podem fazer o que quiserem. Da mesma forma que deram a permissão desta vez, podem tirá-la a qualquer momento.

Ontem, o Senado vetou dois projetos no centro do debate migratório. O primeiro (que precisava de 60 votos para passar, mas só teve 54) foi proposto por senadores democratas e republicanos e previa dar a 1,8 milhão de (imigrantes trazidos ilegalmente ao país ainda menores de idade) um caminho para obter a cidadania, enquanto reforçaria a segurança nas fronteiras. A Casa Branca prometera vetar o plano, em favor de uma proposta similar de Trump que também previa benefícios a , mas alocava recursos para o muro na fronteira com o México e dava fim ao programa de loteria de vistos. O projeto de Trump também caiu por terra: 39 votos a favor, e 60 contra.

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