Por Kate Abnett e Jarrett Renshaw e John Irish
WASHINGTON/BRUXELAS/PARIS, 1 Out (Reuters) - O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, instruiu a Alemanha e a França a reduzirem seus estoques de emergência de diesel para ajudar a amenizar os preços globais dos combustíveis, sob pena de enfrentarem uma possível proibição das exportações de diesel pelos EUA, segundo três pessoas a par das discussões.
A advertência marca uma escalada da pressão sobre a Europa, já que Trump considera uma possível proibição da exportação de diesel para reduzir os preços dos combustíveis nos EUA antes das eleições legislativas de meio de mandato de novembro.
A Comissão Europeia, Alemanha, França, Itália, Irlanda e Reino Unido realizaram uma teleconferência nesta quinta-feira para discutir a possível necessidade de liberar estoques de diesel, informou uma autoridade da União Europeia à Reuters.
O governo dos EUA tem se mostrado particularmente frustrado com a França e a Alemanha, que, segundo autoridades norte-americanas, não cumpriram integralmente os compromissos anteriores de liberar estoques de emergência de petróleo e derivados, conforme já havia sido noticiado anteriormente pela Reuters.
“É do interesse da Europa trabalhar com os Estados Unidos enquanto buscamos múltiplas vias para aumentar a oferta de produtos refinados e reduzir os custos para os consumidores”, disse uma das fontes, uma autoridade norte-americana, à Reuters.
Uma segunda fonte, baseada em uma capital europeia, disse que os EUA solicitaram à UE que liberasse 120 milhões de barris de diesel nos próximos seis meses.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse a repórteres na quarta-feira que o governo norte-americano espera anúncios em breve da Europa sobre novos suprimentos de diesel.
“Perdemos algumas exportações de diesel do Oriente Médio, embora estejamos restaurando essas, e perdemos as exportações de diesel da China”, disse ele. “Portanto, são muitas interrupções.”
O Ministério da Economia da Alemanha não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O Ministério da Energia da França se recusou a comentar.
Um funcionário do Palácio do Eliseu disse que o presidente francês, Emmanuel Macron, e Trump não haviam discutido o assunto quando se encontraram à margem da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York, na semana passada.
No entanto, o funcionário disse que Macron convocaria uma videoconferência com os líderes dos países do G7 para tratar do aumento dos preços dos combustíveis e da disponibilidade global de produtos refinados, incluindo a coordenação da liberação de reservas em conjunto com a Agência Internacional de Energia.
A Europa tem se tornado cada vez mais dependente do combustível dos EUA após proibir as importações russas devido à invasão da Ucrânia pela Rússia e depois que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã interrompeu os suprimentos provenientes do Oriente Médio.
(Reportagem de Jarrett Renshaw, em Washington; Kate Abnett, em Bruxelas, e John Irish, em Paris; Reportagem adicional de Forrest Crellin e Michel Rose, em Paris, e Christian Kraemer, em Berlim)
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