O total de crianças brasileiras em abrigos nos EUA é pelo menos seis vezes maior que o que se pensava: são 49 filhos separados dos pais ao ingressarem ilegalmente no país. A informação é do cônsul-geral adjunto do Brasil em Houston, Felipe Santarosa, que concedeu entrevista exclusiva à Empresa Brasil de Comunicação (EBC) nesta quarta-feira. Inicialmente, o governo brasileiro tinha conhecimento de apenas oito casos de crianças brasileiras em abrigos, informação repassada pelos próprios parentes a serviços de apoio a brasileiros no exterior. Nesta quarta-feira, mais uma criança brasileira na mesma situação foi localizada.
Segundo Santarosa, os novos dados foram repassados pelo governo americano, mas não há detalhes sobre a idade das crianças nem da cidade em que estão abrigadas. O novo comunicado do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS da sigla em inglês), informa somente o nome do abrigo, sem especificar, sequer o endereço. Agora, o trabalho dos diplomatas brasileiros será pesquisar onde estão essas instituições para fazer um contato inicial.
Para Santarosa, será um trabalho difícil por falta de informações precisas.
— O problema dessa comunicação é que simplesmente apresenta uma tabela com o nome da instituição onde está o menor, não dá nem nome da criança. Eu tenho essa informação muito geral, recebida de um oficial do DHS — explicou à EBC.
Santarosa disse que a preocupação inicial é colocar as famílias em contato. O trabalho será localizar as crianças, visitá-las e verificar as condições em que estão. Depois, o intuito é estabelecer contato com as famílias. Mas o governo está de mãos atadas, explicou.
— O governo brasileiro não tem como pedir a libertação (dos pais e das crianças que imigraram ilegalmente para os Estados Unidos). É como se você imaginasse que o governo americano chegasse no Brasil e pedisse para soltar um preso americano, não dá — afirmou na entrevista.
Santarosa ainda contou o caso de uma mãe presa que não sabia onde estavam os filhos.
— A gente entrou em contato com a mãe, informou que os filhos estavam detidos. Ela nem sabia, ela tinha sido separada deles na chegada, na fronteira. Então demos a notícia a ela de que eles estavam bem. E conseguimos fazer um telefonema (entre eles) e ficou acertado com o abrigo das crianças e a prisão da mãe de que eles se falarão uma vez por semana.
A separação de famílias na fronteira é resultado da nova política adotada pelo governo de Donald Trump. Em seis semanas, mais de 2 mil crianças foram separadas dos pais e levadas para abrigos. Pressionado, nesta quarta-feira, Trump assinou um decreto suspendendo a separação, mas não deu detalhes sobre as mudanças e ressaltou que a política de tolerância zero em relação à imigração continua.
Mais cedo, ele havia indicado em entrevista à Fox News que assinaria um decreto determinando que as famílias de imigrantes sem documentos que são detidas pudessem permanecer juntas indefinidamente em centros de detenção, sem que pais e filhos fossem separados.
— Trata-se de manter as famílias juntas e ao mesmo tempo de garantir uma fronteira forte — disse Trump, ao lado da secretária de Segurança Nacional, Kirstjen Nielsen, e do vice-presidente Mike Pence.

