Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (20) que vão monitorar países que adotam políticas de ação afirmativa, permitem mudanças de gênero para crianças ou fornecem subsídios estatais para o aborto, considerando essas práticas como possíveis violações de direitos humanos em seu relatório anual. O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, afirmou que “novas ideologias destrutivas têm dado abrigo a violações dos direitos humanos” e que o governo Trump não permitirá que essas práticas fiquem sem controle.
As novas diretrizes do Departamento de Estado instruem as embaixadas americanas a registrar prisões ou investigações relacionadas à liberdade de expressão, políticas de diversidade e inclusão que deem tratamento preferencial por raça, sexo ou casta, bem como subsídios para abortos e medicamentos abortivos. Além disso, as autoridades deverão informar sobre países que permitem “mutilação química ou cirúrgica de crianças em operações que tentam modificar seu sexo”.
A mudança ocorre no contexto da política externa de Trump, que busca alinhar os direitos humanos a princípios econômicos e a uma agenda política voltada para sua base de apoiadores. Desde que assumiu, o presidente republicano restringiu políticas voltadas a pessoas transgênero, incluindo a eliminação do marcador de gênero “X” em passaportes, medida iniciada pelo governo anterior. A revisão também reduziu o escopo de críticas a aliados como El Salvador e Israel, enquanto intensificou a atenção a países como Brasil e África do Sul.
Organizações internacionais reagiram às mudanças. A Anistia Internacional classificou a decisão como assustadora e alertou que há uma tentativa de “institucionalizar uma filosofia que só reconhece alguns direitos para algumas pessoas, dependendo de quem você é ou onde vive”. O relatório anual do Departamento de Estado, lançado há quase 50 anos, tem como objetivo oferecer uma visão ampla sobre abusos de direitos humanos no mundo.

