ST. LOUIS, EUA — Mais de 80 pessoas foram presas durante a noite do domingo em protestos contra a absolvição de um ex-policial que matou um jovem negro em St. Louis, nos EUA. A terceira noite seguida de marchas registrou mais violência, assim como as duas anteriores, e agentes de segurança usaram spray de pimenta contra os manifestantes. Durante o dia, os protestos haviam reunido cerca de 500 pessoas e acontecido pacificamente, sem ocorrências violentas.
Um pequeno grupo de pessoas permaneceu na área dos protestos até ao noite, e a situação acabou sendo tomada pelo caos. O mesmo havia sido registrado na sexta-feira e no sábado. Os manifestantes quebraram janelas e tentaram bloquear uma rodovia que se conecta a uma via interestadual. Em resposta, a polícia entrou em confronto com os manifestantes que desafiaram as suas ordens.
Em entrevista coletiva à noite, a prefeita de St. Louis, Lyda Krewson, disse que a grande maioria dos manifestantes não são violentos. Ela culpou os problemas durante a marcha a "um grupo de agitadores".
Um grupo informal de ativistas baseado em St. Louis conhecido como Ferguson Frontline organizou os protestos. Os militantes descrevem a absolvição do policial como racismo institucional, que permite que policiais sejam inocentados em vários casos de morte de homens negros desarmados. O grupo se reuniu em um quarteirão com bateristas enquanto entoava: "Se não conseguirmos justiça, vocês todos não terão paz".
Os protestos começaram na sexta-feira, após o juiz Timothy Wilson absolver o ex-policial de St. Louis Jason Stockley, de 36 anos, de assassinato em primeiro grau devido à morte de Anthony Lamar Smith, de 24 anos, em 2011. Smith foi morto com cinco tiros em seu carro após Stockley e seu parceiro o perseguirem.
Promotores afirmaram que o agente colocou uma arma no carro da vítima, mas o juiz acreditou que a arma pertencia ao jovem negro. Stockley deixou o Departamento de Polícia Metropolitana de St. Louis em 2013. A família de Smith ganhou um processo de homicídio culposo contra a cidade de US$ 900 mil no mesmo ano.
No domingo, os manifestantes começaram gritando o nome da vítima enquanto marchavam em frente a uma delegacia a outros pontos no centro da cidade. Mais tarde, o grupo parou em frente ao batalhão da polícia, deitando no chão em protesto à morte de Smith.
As manifestações também começaram pacíficas na sexta-feira e no sábado, mas logo tornaram-se violentas. Segundo a polícia, 33 pessoas foram detidas e 10 agentes foram feridos na sexta-feira. No sábado à noite, a violência começou quando cerca de 100 manifestantes, alguns carregando bastões ou martelos, entraram em confronto com o esquadrão antimotim e quebraram janelas. De acordo com autoridades, nove foram presos.
Os confrontos mais sérios do estado aconteceram em 2014 na cidade de Ferguson, um subúrbio de St. Louis, após a morte de Michael Brown, de 18 anos, por um policial que não foi indiciado. Os protestos deram origem ao Black Lives Matter (em português: Vidas Negras Importam), um movimento que organizou protestos pelos Estados Unidos contra o tratamento policial aos afro-americanos.

