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Estudante americano libertado por Coreia do Norte chega aos EUA

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WASHINGTON — O avião que carregava Otto Warmbier, detido por 17 meses na Coreia do Norte, chegou aos Estados Unidos na noite de terça-feira. O estudante da Universidade de Virginia, de 22 anos, ficou em coma na maior parte de sua detenção e seu retorno finaliza a aflição de sua família, que não sabia o que havia acontecido com o jovem. Otto não tinha contato com seus pais desde que foi condenado a 15 de prisão com trabalhos forçados em março do ano passado.

Amigos e conhecidos esperaram a chegada do avião que levava Otto no terminal do aeroporto de Cincinnati, que chegou às 22h20 no horário local (23h20 no horário de Brasília). Os pais do estudante, Fred e Cindy, embarcaram na aeronave e desceram alguns minutos depois. Uma equipe médica, então, carregou o jovem — que tinha a cabeça raspada e um tubo no nariz — para fora do avião em uma maca. O americano foi levado até uma ambulância, que foi em direção ao centro médico da Universidade de Cincinnati.

Moradores locais esperavam fora do aeroporto segurando cartazes escritos “Bem vindo à sua casa, Otto” e “Orem por Otto”. O jovem está em coma desde março de 2016 e seus pais só souberam da sua condição há uma semana. Segundo o jornal “The Washington Post”, o estudante contraiu botulismo pouco depois de seu julgamento e recebeu uma dose de sonífero que fez com que entrasse em coma.

“Queremos que o mundo saiba como nós e o nosso filho fomos brutalizados e aterrorizados pelo regime pária da Coreia do Norte”, disseram em comunicado os pais do americano.

O Supremo Tribunal da Coreia do Norte condenou Otto Warmbier em março de 2016, depois que ele reconheceu ter roubado um cartaz com um slogan político no hotel onde ele estava hospedado em Pyongyang. O jovem estava na Coreia do Norte por conta de uma excursão organizada pela agência chinesa Young Pioneer Tours. Ele foi preso no dia em que o grupo deveria retornar a Pequim em 2 de janeiro de 2016.

Apresentado à imprensa estrangeira e diplomatas poucas semanas depois, declarou, em prantos, ter cometido o pior erro da minha vida. O estudante americano foi acusado por Pyongyang de atividades hostis e de complô contra a unidade da Coreia do Norte. A diplomacia americana havia pedido à Coreia do Norte que o perdoasse, considerando a sentença excessivamente dura, e havia acusado Pyongyang de usar o jovem como moeda de troca de uma chantagem política.

Ao menos 17 americanos foram presos na Coreia do Norte nos últimos dez anos. Três seguem em detenção. Rex Tillerson disse nesta terça-feira que irá trabalhar pela libertação dos outros três americanos detidos na Coreia do Norte.

A libertação do jovem coincide com a chegada à Coreia do Norte da ex-estrela de basquete Dennis Rodman, que inicia uma visita ao seu polêmico amigo da vida, o dirigente Kim Jong-Un. O ex-atleta visitou o país em cinco ocasiões. Ele é um dos poucos ocidentais a ter encontrado o ditador norte-coreano. O governo Trump ressaltou que Rodman realizava esta viagem de maneira privada.

As relações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte estão extremamente tensas desde a posse de Donald Trump , em razão das aspirações nucleares norte-coreanas. Pyongyang realizou dezenas de disparos de mísseis e dois testes nucleares desde o início de 2016 com o objetivo de desenvolver um míssil capas de atingir o território americano. Donald Trump receberá o novo presidente sul-coreano, Moon Jae-In, na Casa Branca nos dias 29 e 30 de junho para discutir "a ameaça crescente" representada pela Coreia do Norte.

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