MADRI, 29 Set (Reuters) - O Ministério da Defesa da Espanha informou nesta quarta-feira que havia alertado a promotoria sobre um relatório da Anistia Internacional que alega que militares torturaram ou maltrataram imigrantes em Ceuta, e ordenou uma investigação interna para apurar se algum militar é culpado.
A organização de direitos humanos acusou membros das Forças Armadas da Espanha de tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes contra imigrantes retidos no enclave norte-africano, depois que mais de 72 mil cruzaram a fronteira vindo do Marrocos no final de julho.
Embora a maioria dos imigrantes tenha voltado posteriormente, pelo menos 10 mil permanecem no minúsculo enclave espanhol no Norte da África, sobrecarregando os recursos locais e alimentando tensões.
O diretor da Anistia Internacional Espanha, Esteban Beltrán, disse à Reuters que a organização havia documentado 22 casos de tortura e abuso por parte de militares. No que ele descreveu como um padrão recorrente, as tropas perseguiram, espancaram e humilharam imigrantes, incluindo mulheres e crianças desacompanhadas, em operações noturnas.
A Anistia afirmou que as fotografias e vídeos analisados eram consistentes com as alegações de uso excessivo da força, incluindo imagens de militares encapuzados agredindo imigrantes e borrifando seus rostos com substâncias irritantes antes de empurrá-los para o outro lado da fronteira.
“Tendo em vista o relatório divulgado pela Anistia Internacional, foi decidido encaminhá-lo à promotoria e ao tribunal de plantão em Ceuta, além de instruir o Comando de Operações a investigar e esclarecer quaisquer possíveis responsabilidades individuais”, afirmou o Ministério da Defesa.
(Reportagem de Victoria Waldersee e Emma Pinedo)
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