Início Mundo Espanha: chefe da promotoria anticorrupção renuncia e admite offshore no Panamá
Mundo

Espanha: chefe da promotoria anticorrupção renuncia e admite offshore no Panamá

Envie
Envie

MADRI - O chefe da procuradoria anticorrupção espanhola, Manuel Moix, renunciou nesta quinta-feira após reconhecer que tinha uma participação em uma empresa offshore no Panamá. Ele era responsável por investigações de corrupção envolvendo membros da legenda oficial Partido Popular (PP). O jornal digital Infolibre revelou na segunda-feira que ele possuía 25% de uma sociedade registrada no Panamá, que teria sido herdada de seu pai.

Em uma entrevista publicada na quarta-feira pelo jornal “El Mundo”, Moix assegurou que descobriu a existência da sociedade, criada em 1958, quando seu pai faleceu, em 2012. Ele negou qualquer irregularidade e disse em entrevista a uma rádio espanhola que sua participação na empresa era legal. Moix apresentou sua renúncia, oficialmente por motivos pessoais, três meses depois de ser nomeado ao cargo.

Apesar da demissão, o procurador-geral da Espanha, José Manuel Maza, reafirmou nesta quinta-feira o seu apoio a Moix, e disse que ele não cometeu "nenhum tipo de irregularidade nem de ilegalidade".

— Não encontro motivos para poder demitir o senhor procurador, mas tenho que lhes dizer que me apresentou há alguns minutos a sua renúncia ao cargo. Renuncia por motivos pessoais — afirmou Maza.

Nesta semana, o sindicato União Progressista de Procuradores disse que a procuradoria anticorrupção não pode ser liderada por um funcionário "permanentemente questionado, sempre no olho do furacão e cuja conduta pessoal se distancia de ser exemplar".

Sua indicação ao cargo que ocupava já tinha gerado polêmica entre o PP, que aprovou seu nome, e partidos de oposição que criticavam sua forma de lidar com alguns casos envolvendo o partido governista.

A indicação de Moix complicou cada vez mais a situação do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, cujo partido se vê envolvido em uma série de escândalos de corrupção, questionados fortemente por partidos opositores. Rajoy, que não é acusado de nenhuma irregularidade, tem tentado se distanciar dessa imagem que podem ter custo político nas urnas. O primeiro-ministro conseguiu garantir um segundo mandato no cargo após o PP ganhar a maioria dos votos em duas eleições no fim de 2015 e em meados de 2016.  

Siga-nos no

Google News