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Enviado dos EUA aparentemente mina o nome de Bachelet para liderar ONU

Reuters
Enviado dos EUA aparentemente mina o nome de Bachelet para liderar ONU
Enviado dos EUA aparentemente mina o nome de Bachelet para liderar ONU

Por David Brunnstrom e Patricia Zengerle

WASHINGTON, 15 Abr (Reuters) - O enviado dos Estados Unidos para as Nações Unidas, Mike Waltz, sinalizou nesta quarta-feira que questiona a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet para comandar o órgão mundial, dizendo compartilhar das preocupações de um senador norte-americano sobre a aptidão dela para o cargo.

Em uma audiência em um comitê do Senado dos Estados Unidos, o senador republicano Pete Ricketts, de Nebraska, acusou Bachelet de ter sido omissa como chefe de Direitos Humanos da ONU ao não classificar, em um relatório de 2022, ações da China contra muçulmanos uigures como genocídio, além de promover o aborto como um direito humano fundamental.

Waltz disse que no momento não estava em posição de dizer quem os Estados Unidos devem apoiar para substituir o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a quem devem se opor. Mas ele respondeu a Ricketts: "Compartilho de suas preocupações".

Ele acrescentou ter certeza de que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também compartilha das mesmas preocupações.

Um novo secretário-geral das Nações Unidas será eleito neste ano para um mandato de cinco anos a partir de 1º de janeiro de 2027.

O apoio dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU com direito a veto -- Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França -- é vital para que um candidato seja bem-sucedido.

Bachelet também teve atrito com a China em relação ao relatório sobre os uigures, no qual afirmou que a detenção de uigures e de outros muçulmanos na província chinesa de Xinjiang pode constituir crimes contra a humanidade.

Um representante da campanha de Bachelet não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Waltz disse que o consenso geral em Nova York, sede das Nações Unidas, é que, pelo fato de nunca ter havido uma secretária-geral mulher, ou da América Latina, o futuro líder da ONU deveria, portanto, ser uma mulher latino-americana.

"Assumimos a posição de que apenas precisamos da melhor", disse ele. "E essa instituição precisa desesperadamente de uma liderança forte e eficaz."

Waltz acrescentou que "reforma, reforma, reforma... e voltar aos princípios básicos de paz e segurança estarão no topo de nossos critérios".

Até o momento, quatro candidatos foram indicados, incluindo Bachelet, primeira mulher a se tornar chefe de Estado no Chile. Ela foi presidente do país sul-americano por duas vezes.

Em março, o Chile retirou seu apoio à candidatura de Bachelet após uma mudança na liderança do país e uma forte guinada para a direita, mas ela disse que deve continuar com o apoio do Brasil e do México.

Bachelet foi alta comissária da ONU para Direitos Humanos de 2018 a 2022 e diretora-executiva da ONU Mulheres de 2010 a 2013.

Os outros candidatos declarados são Rafael Grossi, um veterano diplomata argentino que atualmente é diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica, e Macky Sall, ex-presidente do Senegal.

Os candidatos devem participar de diálogos interativos na próxima semana nas Nações Unidas, que serão transmitidos ao vivo, começando com Bachelet, na terça-feira.

(Reportagem de David Brunnstrom e Patricia Zengerle)

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