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Empresas no México pagaram US$ 88 milhões em suborno em 2016

CIDADE DO MÉXICO - Um dos vícios mais enraízados no México pode ser chamado de diversos nomes: mordida, suborno, ajuda ou “coima”. No entanto, não existem estudos suficientes que ajudem a quantificar o dano que faz essa má conduta à economia local. O Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi, na sigla em espanhol), órgão governamental renomada, apresentou esta semana os resultados de sua primeira pesquisa realizada com empresários e comerciantes para conhecer o impacto que o marco regulatório governamental tem sobre elas. Os resultados indicaram, entre outros dados, que as unidades econômicas gastaram US$ 88 milhões em 2016 para agilizar processos ou evitar multas e sanções.

Em média, cada empresa teve que desembolsar 12.243 pesos (US$ 672) em atos de corrupção no ano passado. O número supera quase oito vezes o salário mínimo mensal que recebem 7 milhões de trabalhadores no México. A Pesquisa Nacional de Qualidade Regulatória e Impacto Governamental (Encrige) consultou 32.681 empresários, desde pequenos comércios a grandes empresas de todos os setores, de serviços à mineração. Cada uma delas realizou uma média de 19,5 trâmites em escritórios dos três níveis de governo.

Segundo o Inegi, a corrupção é uma prática generalizada em todo o país: 82% das companhias consultadas acreditam que atos de suborno são frequentes. Os comerciantes dos estados de Tabasco, Veracruz e Cidade do México são os que percebem atos de corrupção “frequentes” ou “muito frequentes” em suas empresas.

Na outra ponta, os empresários de Colima e Nayarit são os que menos percebem, pois sua impressão (62%) está muito abaixo da média. Dez entre os 32 estados mexicanos, no entanto, estão acima da média naiconal: Sonora, Sinaloa, Nuevo León, Zacatecas, Jalisco, Veracruz, Tabasco, Chiapas, Estado de México e a capital.

A pesquisa foi realizada ao longo de novembro e da primeira quinzena de dezembro do ano passado em empresas dos setores de mineração, eletricidade, fornecimento de água e gás, construção, manufatura e serviços. Os dados mostram que a corrupção é um assunto cotidianos. Apenas 13% dos entrevistados vincularam subornos a licitações ou a ganhos de contratos governamentais. A maioria, por outro lado, disse que a propina se dá para agilizar trâmites no governo (64%) ou evitar multas e sanções (39%). Outros 30% relacionaram os subornos à obtenção de licenças ou permissões para evitar o fechamento de estabelecimentos.

A pesquisa também revela que as empresas pagaram, em 2016, mais de 115 bilhões de pesos para pagar regulamentações. Isso representa 0,56% do PIB nacional. A média de encargos administrativos pagos pelas empresas foi de 48.871 pesos (US$ 2.680). Apesar disso, 20% dos empresários consideram que as normas, trâmites, solicitações e inspeções em seus estabelecimentos representam um obstáculo para seus negócios.

Os micro e pequenos empresários foram, segundo a pesquisa, os mais afetados pela corrupção em órgãos do governo para pagamentos ou solicitações de serviço. No entanto, os dados indicam que as vítimas da corrupção crescem de acordo com o tamanho das empresas ou o êxito no setor. No âmbito nacional, o Inegi calcular que as microempresas, que representam 95% do total no México, criando 40% do total de empregos no país, registra uma taxa de 534 vítimas a cada 10 mil unidades de negócio. Este tipo de empresa empresa menos de dez pessoas e, de acordo com cálculos do governo, gera lucros de 4 milhões de pesos por ano. A pesquisa releva que essas empresas se viram obrigadas a desembolsar cerca de 9 mil pesos (US$ 494) de suborno em 2016.

O esforço para negociar com o governo aumenta até as 1.317 vítimas a cada 10 mil empresas quando se fala em grandes companhias. As empresas de grande porte gastaram, em média, 48 mil pesos (US$ 2.600) no ano passado para passar pelo governo. A indústria é o setor mais afetado frente a comércio e serviços, pois alcança uma taxa de 755 vítimas a cada 10 mil unidades empresariais.

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