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Em uma semana, quase 50 mil fugiram de Mianmar para Bangladesh

COX’S BAZAR, Bangladesh — Quase 50 mil refugiados de Mianmar já chegaram ao território de Bangladesh em uma semana, fugindo dos combates entre os rebeldes muçulmanos rohingyas e o exército de Mianmar, que já deixou quase 400 pessoas mortas. Segundo os últimos dados divulgados nesta sexta-feira pela ONU, 27 mil pessoas chegaram a Bangladesh desde sexta-feira passada e cerca de 20 mil estariam presas na fronteira. Esses refugiados são majoritariamente rohingyas.

A Guarda Costeira de Bangladesh encontrou na quinta-feira os corpos de 26 rohingyas após o naufrágio de duas embarcações que tentavam fugir da violência em Mianmar. O comandante da Guarda Costeira, Ariful Islam, afirmou que os corpos de 15 crianças e 11 mulheres foram recuperados do rio Naf, na cidade de Cox's Bazar. Islam disse que ao menos três barcos carregando um número desconhecido de rohingya naufragaram na quarta-feira e não está claro se alguém ainda está desaparecido.

Muitos rohingyas arriscam suas vidas em embarcações improvisadas para tentar cruzar o rio Naf, que estabelece uma fronteira natural entre Mianmar e o extremo Sudeste de Bangladesh. O rio Naf é considerado muito perigoso no atual período de chuvas de monção.Na quarta-feira, as autoridades encontraram os corpos de duas mulheres e duas crianças após um naufrágio. Uma tragédia que se repetiu nesta quarta-feira com duas embarcações.

Paralelamente, várias organizações acusam o exército de ter cometido uma nova matança na localidade de Chut Pyin. A ONG local Fortify Rights obteve o relato de sobreviventes que falam de uma chacina que teria durado cinco horas. Chris Lewa, do projeto Arakan, organização de defesa dos direitos dos rohingyas, disse que forças de segurança acompanhadas por colonos da etnia rakhine atacaram no domingo o povoado, queimaram casas e atiraram contra os rohingyas que fugiam.

— Segundo uma lista que pudemos estabelecer, 130 pessoas morreram, entre elas mulheres e crianças — acrescentou Lewa.

A região está fechada desde outubro e nenhum jornalista pode chegar a ela de forma independente. Em sua conta do Facebook, no começo da semana o governo relatou uma grande operação na área.

— As tropas trocaram tiros com 80 terroristas bengalis (termo utilizado pelas autoridades para designar os rohingyas) armados com bombas caseiras, facas e lanças — afirmou o governo, dirigido pela ex-dissidente e prêmio Nobel da paz Aung San Suu Kyi.

Os combates começaram no dia 25 de agosto, quando centenas de homens do Arakan Rohingya Salvation Army (ARSA) atacaram várias delegacias de polícia do estado de Rakhine, dando lugar aos maiores episódios violentos há meses. Os confrontos levaram milhares de civis, principalmente membros da minoria rohingyas, perseguida, a abandonar suas casas. Mais de 400 mil rohingyas se encontram em Bangladesh, um país que não quer mais acolhê-los e que fechou sua fronteira com Mianmar.

Os rohingyas, muçulmanos sunitas, falam um dialeto de origem bengali utilizado no sudeste de Bangladesh, de onde são originários. Quase um milhão deles moram em Mianmar, país majoritariamente budista, boa parte nos campos de refugiados, principalmente no estado de Rakhine, no Noroeste do país. A enviada especial das Nações Unidas em Mianmar, Yanghee Lee, expressou sua preocupação na última quinta-feira, declarando-se gravemente preocupada pela situação e exigindo que se rompa urgentemente o ciclo de violência.

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