A Rússia afirmou nesta sexta-feira (7) estar preparada para atender aos pedidos de ajuda da Venezuela caso a crise militar no país se agrave, especialmente diante da pressão exercida pelo governo de Donald Trump sobre o regime de Nicolás Maduro. A declaração foi feita pela porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, mas autoridades alertam que o anúncio deve ser interpretado com cautela.
Fontes com conhecimento do tema em Moscou indicam que a entrega de armamentos sofisticados a Caracas é mais uma questão de projeção de poder do que uma ação prática. Desde 2020, com a pandemia de Covid-19, a Venezuela tem enfrentado dificuldades para manter o pagamento e a manutenção de seu arsenal russo, recorrendo a fornecedores alternativos, como China e Irã, para aquisição de novos sistemas militares.
Apesar da disposição de manter influência na região, o Kremlin evita um confronto direto com os Estados Unidos. A política russa em relação à Venezuela é considerada estratégica e simbólica, buscando demonstrar força sem comprometer as negociações globais, especialmente no contexto da crise nuclear entre Moscou e Washington.
Recentemente, a chegada de um cargueiro russo Il-76 a Caracas alimentou especulações sobre possível envio de armas, mas fontes confirmam que nenhum equipamento significativo foi desembarcado. Historicamente, o arsenal russo na Venezuela remonta ao governo de Hugo Chávez, com vendas de caças, tanques, rifles e sistemas de defesa que consolidaram o país como potência militar regional, ainda que a operacionalidade desses sistemas seja limitada.
Diante da crescente tensão, a porta-voz Zakharova reforçou que qualquer escalada só aumentaria os problemas e pediu que os EUA evitem ataques diretos contra venezuelanos. Enquanto isso, os movimentos militares americanos na região, como sobrevoos de bombardeiros estratégicos e deslocamento do porta-aviões USS Gerald Ford, têm sido observados com atenção, mas ainda não indicam uma ação militar imediata.

