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Em Cuba, chuvas causadas pelo Irma deixam casas sem eletricidade

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HAVANA — Sabendo que o furacão não passaria pela capital e nem tão perto, os habaneros mal se preocupavam na noite de sábado. Não mudaram de expressão nem quando foram informados de que a região seria bem mais afetada que o esperado, os ventos ainda mais fortes e as inundações ainda maiores.

Não tínhamos luz há horas, mas o bom e velho telefone tocava sem parar na casa particular do Luis, no Vedado. Enquanto jogava Uno comigo e com dois universitários alemães, Darwis (um dos administradores da casa) atendia todas as ligações: “Estou ouvindo, irmão. Sim. É... muito vento aqui também”, ouvi-o dizendo várias vezes, apenas para nos avisar que parentes e amigos em Habana Vieja (com eletricidade subterrânea) relataram que os ventos passavam de 110 km/h, que a tempestade jogara o mar várias ruas adentro e que os paraísos de Cayo Coco e Cayo Santa María estavam arrasados.

Enquanto Darwis explicava o que se passava, eu traduzia para os demais. E tudo dito por ele era muito natural: “Ruim mesmo é quando a gente fica no olho do furacão. Depois de tudo, a tempestade para completamente por uns 15, 30 minutos, e depois volta com força máxima. Por enquanto, o ruim é termos que ficar aqui no sábado à noite”.

No pátio interior do prédio da casa do Luis, a gritaria dos moradores era de quem estava jogando dominó e tomando rum. Talvez eu devesse ter tido a sagacidade de comprar logo um Havana Club. Mas as partidas de Uno e os relatos das diferenças culturais nos distraíam. Darwis perdeu a primeira e ganhou a última. Vai fazer 25 anos, que nem eu. Adora “O amor nos tempos do cólera” e tem tanto conhecimento sobre temas existenciais que mais parece um filósofo do que um futuro engenheiro.

A chuva acabou de vez durante a tarde de domingo. Árvores caíram e o mar estava caótico, mas todo mundo estava de volta à rua, mesmo sem eletricidade e com quase todos os restaurantes fechados.

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