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Em 1ª viagem à Ásia, Biden reforça vínculos com aliados em oposição à China

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

20/05/2022 11h35 — em
Mundo



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Joe Biden desembarcou nesta sexta-feira (20) na Coreia do Sul em sua primeira viagem à Ásia como presidente dos Estados Unidos, na qual pretende reforçar os vínculos na área de segurança com os aliados regionais, em oposição à China, e em um contexto de preocupação com um possível teste nuclear da Coreia do Norte.

Em uma de suas primeiras declarações após a chegada, o americano disse que o futuro será escrito no Indo-Pacífico e que agora é a hora de os Estados Unidos e de parceiros com ideias semelhantes investirem uns nos outros.

Depois de aterrissar na base aérea de Osan, Biden seguiu para a maior fábrica de semicondutores do mundo, pertencente à Samsung, empresa sul-coreana que tem quase 20 mil funcionários nos Estados Unidos. Na indústria, que fica em Pyeongtaek, ele foi recebido por Yoon Suk-yeol, novo presidente da Coreia do Sul, que tem uma postura pró-EUA.

Chips usados em celulares, 5G, computação de alto desempenho e inteligência artificial tornaram-se um ponto crucial da competição de Washington com a China e das preocupações com interrupções na cadeia de suprimentos global causadas pela pandemia.

Em comentários durante a visita à fábrica, Biden disse que as ondas de choque econômicas da Guerra da Ucrânia reforçaram a necessidade de garantir cadeias de suprimentos críticas, para que a economia e a segurança nacional dos EUA não dependam de países "que não compartilham nossos valores".

Para alcançar essa autonomia, Biden disse que Washington vai trabalhar "com parceiros próximos" que compartilhem seus valores --e citou a Coreia do Sul.

Yoon, por sua vez, instou Biden a fornecer incentivos para empresas sul-coreanas investirem nos EUA e vice-versa. "Com a visita de hoje, espero que as relações Coreia-EUA renasçam como uma aliança econômica e de segurança baseada na cooperação de alta tecnologia e cadeia de suprimentos", disse o sul-coreano, lembrando que seu país fabrica quase 70% dos chips utilizados no mundo.

China Combater a presença da China na região é um tema-chave de Biden na viagem, mas o governo sul-coreano provavelmente adotará um tom cauteloso em público sobre o assunto, já que Pequim é o principal parceiro comercial de Seul.

A Coreia do Sul deverá estar entre os membros inaugurais do Quadro Econômico Indo-Pacífico de Biden (IPEF), que será anunciado durante a viagem para estabelecer padrões sobre trabalho, meio ambiente e cadeias de suprimentos.

Questionado sobre a oposição de Pequim ao IPEF, Yoon disse a repórteres nesta sexta-feira que a adesão à estrutura não precisa entrar em conflito com os laços econômicos da Coreia do Sul com a China. "Não há necessidade de ver isso como uma soma zero", disse.

Os Estados Unidos querem "afirmar a imagem do que poderia ser o mundo se as democracias e as sociedades abertas se unissem para ditar as regras do jogo" ao redor da "liderança" americana, declarou o conselheiro para a Segurança Nacional americana, Jake Sullivan.

"Acreditamos que a mensagem será ouvida em Pequim. Mas não é uma mensagem negativa e não está direcionada contra nenhum país", disse.

China e Taiwan, no entanto, estão nas mentes de todos.

No início deste mês, o diretor da CIA, William Burns, disse que Pequim estava observando "com atenção" a invasão russa da Ucrânia para aprender as lições dos "custos e consequências" de uma tomada de controle de Taiwan pela força.

Além das conversas com os governantes da Coreia do Sul e do Japão, Biden participará em Tóquio em uma reunião de cúpula do grupo Quad, que inclui a Austrália, Índia, Japão e Estados Unidos.

Coreia do Norte Nesta primeira etapa da visita à Ásia, Biden visitará tropas americanas e sul-coreanas, mas não fará a tradicional viagem presidencial à fronteira fortificada conhecida como DMZ entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, informou a Casa Branca.

O governo americano declarou várias vezes, em vão, que estava disposto a dialogar com a Coreia do Norte, apesar de o país ter realizado vários testes de mísseis desde o início do ano.

Seul e Washington esperam que Pyongyang retome os testes nucleares de maneira iminente, depois de executar seis exercícios entre 2006 e 2017.

O governo dos Estados Unidos considera que há uma "real possibilidade" de que a Coreia do Norte anuncie "um novo lançamento de míssil ou um teste nuclear" durante a viagem, informou Sullivan a jornalistas, a bordo do avião Air Force One.

.De acordo com o serviço de inteligência americano, existe uma "possibilidade real" de que a Coreia do Norte tente organizar uma "provocação" após a chegada de Biden a Seul.

Isto poderia significar "novos testes de mísseis, testes de míssil de longo alcance ou um teste nuclear, ou francamente ambos, nos dias anteriores, durante ou depois da viagem do presidente à região", afirmou Sullivan.

Ele negou que um evento do tipo seria visto como um revés diplomático para o presidente. "Isto ressaltaria uma das principais mensagens que enviamos durante a viagem, a de que os Estados Unidos estão presentes para seus aliados e sócios", afirmou.



O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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