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ELN anuncia cessar-fogo para eleições presidenciais da Colômbia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ELN (Exército de Libertação Nacional), considerada a última guerrilha da Colômbia, anunciou nesta segunda (16) um cessar-fogo unilateral de dez dias para a eleição presidencial, cujo primeiro turno ocorre no dia 29. O grupo também reiterou a disposição de realizar negociações de paz com o futuro governo.

De acordo com a guerrilha, suas atividades serão suspensas entre 25 de maio e 3 de junho, para garantir "tranquilidade a quem quiser votar". O grupo armado afirmou ainda que a decisão responde ao interesse de gerar "um ambiente político melhor, antes de saber quem poderá ser o candidato vencedor".

A medida, porém, não inibe que seus membros reajam a eventuais operações das forças de segurança do país, destaca o comunicado. Decisão semelhante foi tomada em março, durante o pleito legislativo.

O governo colombiano, por outro lado, afirma que tais anúncios são tentativas de influenciar as eleições. O atual presidente do país, Iván Duque, de centro-direita, rivaliza com o candidato esquerdista Gustavo Petro, ex-guerrilheiro do grupo M-19, ex-prefeito de Bogotá e líder nas pesquisas de intenção de voto.

Na mesma toada de Duque, que não pode concorrer à reeleição, o ministro da Defesa Diego Molano esnobou o anúncio e disse que o movimento pretende posicionar o ELN para futuros diálogos com o próximo governo. "Aqui a segurança é a da força pública", acrescentou ele em um evento público.

O grupo rebelde, acusado de se financiar por meio de sequestros, extorsões, tráfico de drogas e mineração ilegal, manteve negociações de paz para encerrar seu papel no longo conflito armado colombiano. A estimativa é a de que a guerra já tenha provocado, desde a década de 1960, cerca de 260 mil mortes.

A possibilidade de diálogo com o governo de Duque, porém, foi congelada em 2019, depois de um ataque atribuído ao ELN em uma escola militar em Bogotá matar mais de 20 cadetes. A gestão atual também afirma que guerrilheiros fugiram para a Venezuela com a cumplicidade do regime de Nicolás Maduro.

A região da fronteira entre os dois países é, inclusive, palco de conflitos entre os membros dos grupos rebeldes. Em janeiro, ao menos 23 pessoas morreram em meio a uma disputa entre o ELN e dissidentes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) pelo controle do tráfico de drogas da área.

Diferentemente do ELN, os líderes das Farc assinaram um acordo de paz em 2016 -na época, o entendimento garantiu o Nobel da Paz ao então presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

Segundo especialistas, a guerrilha remanescente tem uma cadeia de comando mais difusa, o que torna as demandas do atual governo mais difíceis de serem cumpridas. Entre as exigências de Duque para um eventual acordo estão o fim dos sequestros e a libertação de reféns.

Caso Petro seja eleito, a situação pode mudar, já que o esquerdista é defensor da volta das negociações. Por outro lado, o ex-prefeito de Medellín Federico "Fico" Gutiérrez, em segundo lugar nas pesquisas, assim como o governo atual, condiciona qualquer aproximação ao fim das ações violentas por parte do grupo.

Como Petro aparece nas sondagens como líder, com 40%, ante 21% do centro-direitista, eles disputariam o segundo turno em 19 de junho. Neste pleito, de acordo com os levantamentos, Petro venceria por 47%, contra 34% de Gutiérrez. Se Petro chegar ao poder, será a primeira vez que um ex-guerrilheiro comandará o segundo maior Exército da América Latina (depois do brasileiro), com 228 mil militares e 172 mil policiais.

Integrantes da alta cúpula das Forças Armadas da Colômbia têm interferido no pleito com críticas ao esquerdista. Devido ao passado de Petro, há o temor de que um eventual governo avance contra os militares. O ex-guerrilheiro, por sua vez, já disse que há corrupção no Exército e que o sistema de promoções da instituição é baseado em "politicagem interna e subornos por parte do narcotráfico".

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