Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 27 Ago (Reuters) - O dólar fechou a quinta-feira com leve alta ante o real, em sintonia com o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, em uma sessão marcada no Brasil por variações contidas e por dois leilões cambiais do Banco Central.
O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,21%, aos R$5,1641. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 5,92%.
Às 17h02, o dólar futuro para setembro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,28% na B3, aos R$5,1660.
No início da sessão o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos (US$1 bilhão) de swap cambial reverso -- neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.
As duas operações simultâneas são conhecidas como "casadão" pelos investidores e dão liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra.
No exterior, parte das atenções esteve voltada para a reação dos investidores à divulgação de resultados da gigante de tecnologia norte-americana Nvidia, que na noite de quarta-feira previu receitas acima das estimativas para o terceiro trimestre.
Além disso, os agentes monitoraram o início da conferência de Jackson Hole (EUA), onde o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, deve discursar na sexta-feira.
Ao longo do dia, o dólar se firmou em alta ante divisas emergentes como o peso colombiano, o peso chileno, o rand sul-africano e o próprio real -- ainda que as variações no Brasil fossem contidas.
Após marcar a cotação mínima de R$5,1418 (-0,22%) às 9h09, minutos antes do “casadão” do BC, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1765 (+0,45%) às 12h23.
“(O dólar ficou) meio de lado, mas com algum movimento de compra mais preponderante”, resumiu o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo. “(O real) vem na mesma mão que a maior parte das emergentes hoje, que se desvalorizam”, acrescentou.
Pela manhã, o BC informou que o Brasil teve déficit em transações correntes de US$8,110 bilhões em julho, ante expectativa de US$6,6 bilhões de déficit entre os economistas em pesquisa da Reuters. Na outra ponta, os investimentos diretos no país somaram US$7,460 bilhões, contra projeção de US$7,92 bilhões.
No exterior, às 17h06 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,02%, a 99,137.
(Edição de Pedro Fonseca)



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