DIREITO DE RESPOSTA e o depoimento do acusado de matar o sargento Lucas

Por Portal do Holanda

16/12/2021 10h15 — em Mundo

Em pedido de Direito de Resposta encaminhada à coluna, os advogados de Silas Ferreira, acusado de matar o sargento Lucas Gonçalves  supostamente a mando dos donos do Supermercado Vitória, questionam o depoimento apresentado à polícia, no qual  Silas admite ser o autor do homicídio,  e revelam preocupação com a “ violência física e psicológica” que o suposto criminoso vem sofrendo. Em  áudio  obtido pela coluna, Silas confirma que foi torturado para confessar um crime que ele diz não ter cometido.

"Ao jornalista Raimundo de Holanda, editor da coluna Bastidores.

Em razão da publicação nesta data, dando conta de uma suposta confissão do acusado Silas Ferreira da Silva, informamos como segue.

O acusado foi preso aos 22/11/2021, às 18:00hs, conforme Mandado de Prisão Temporária  juntado aos autos.

Desde aqueles momentos iniciais o acusado está sendo acompanhado por seus advogados, jamais tendo ficado desacompanhado, e a todo momento a autoridade policial informou que não havia colhido as declarações de Silas, que não havia realizado seu interrogatório.

Foram então pautadas sucessivas audiências pela autoridade policial para a colheita das declarações do acusado, sendo a última no dia 25/11/2021, às 14:00hs.

Ocorre que, para surpresa da defesa, ao chegar ao local no horário designado, a autoridade policial informou que na verdade não se tratava do depoimento do acusado, mas sim de um “Auto de Reconhecimento” onde algumas fotos seriam mostradas para o acusado para que reconhecesse suspeitos, pois o interrogatório já havia sido realizado, quando então apresentou o documento.

Não passou despercebido pela defesa que o documento, que até aquele momento não existia, está datado do dia 22/11/2021, data da prisão, sendo absolutamente desconhecido da defesa do acusado sua realização. Da mesma forma desconhecidos os motivos que levaram a autoridade policial a omitir da defesa a existência do documento - se já existia.

Logo após a apresentação do documento para a defesa técnica, o acusado foi conduzido para um SPA - Serviço de Pronto Atendimento pois apresentava queixas de dor, o que até então não havia acontecido.

Diante de tal realidade, considerando a gravidade dos fatos narrados, em especial a tomada de depoimento do acusado sem a presença de seus advogados, o acusado foi questionado tendo afirmado que desconhece os fatos relacionados ao homicídio objeto da apuração, e que tem sido  regularmente vítima de violência física e psicológica. O acusado tem ciência da existência de processos outros contra sua pessoa, mas nega participação e conhecimento sobre a morte em análise.

Não custa lembrar que a prisão do acusado Silas Ferreira ocorreu em razão de denúncias anônimas por alegada semelhança física com o suspeito captado nas imagens de segurança, não existindo - ou pelo menos não tendo sido apresentado - qualquer outro indício que dê suporte à acusação.

Renovamos, por oportuno, nosso respeito pelo trabalho da autoridade policial, bem como pelos princípios basilares do direito de defesa e, especialmente, pelas prerrogativas da classe de advogados.

Christhian Naranjo

Advogado

Leandro Rebelo

Advogado”

 

 

 

Texto dos Bastidores da Política*


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