SÃO PAULO, 10 Mar (Reuters) - A construtora Direcional tem como prioridade neste ano crescimento de vendas e não de lançamentos, depois de ter terminado 2025 com um volume de mais de R$5 bilhões em produtos para comercialização e diante de mudanças no programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida, que devem incrementar a demanda a partir do final deste mês, afirmaram executivos da companhia nesta terça-feira.
A Direcional aguarda pelas oportunidades que a reunião do Conselho Curador do FGTS, prevista para 24 de março, podem gerar com uma possível elevação dos limites de renda para financiamento de imóveis dentro do programa MCMV, principalmente nas faixas 3 e 4, de renda mais alta.
"Isso nos motiva bastante, tem impacto bastante relevante na capacidade de compras das famílias e a gente vai ter um volume muito maior de produtos elegíveis", disse o presidente da Direcional, Ricardo Gontijo, em conferência com analistas após a publicação de resultados de quarto trimestre da construtora na noite da véspera.
"Numa análise prévia a gente está bastante animado com os impactos que esses ajustes podem ter em termos de demanda", acrescentou.
Além disso, a empresa também espera efeitos positivos na demanda advindos da isenção de imposto de renda para quem ganha até R$5 mil por mês, neste caso algo que pode se materializar mais para o segundo semestre, disse Gontijo.
Apesar do foco no crescimento das vendas, o diretor financeiro da Direcional, Paulo de Sousa, afirmou que a companhia espera manutenção da margem bruta em patamares elevados nos próximos trimestres após a empresa ter alcançado recorde nos três últimos meses do ano passado, a 42,8%.
Sobre o início deste ano, Gontijo afirmou que o ritmo de crescimento das vendas tem sido maior que o verificado no mesmo período de 2025, com as vendas de fevereiro acelerando ante o desempenho de janeiro.
"Com a ressalva de que temos mais produtos (para venda) ante o ano passado, tanto janeiro quanto fevereiro foram mais fortes que os mesmos meses do ano passado", disse o executivo sem precisar números.
(Por Alberto Alerigi Jr.)

