Por Olivia Le Poidevin
GENEBRA, 25 Set (Reuters) - A agência das Nações Unidas para a infância informou nesta sexta-feira um aumento da desnutrição aguda entre as crianças no Iêmen, inclusive nos casos mais graves, à medida que os combates dificultam o acesso aos serviços de saúde e aos centros de tratamento.
“Estamos muito preocupados com um aumento bem visível da desnutrição aguda entre as crianças”, disse o representante da Unicef no Iêmen, Akhil Iyer, a repórteres em Genebra por videoconferência a partir de Áden.
Mais de um quarto das quase 2.900 crianças examinadas nas últimas semanas pelas equipes móveis de nutrição da Unicef em áreas acessíveis apresentava desnutrição aguda, disse Iyer, sendo que 200 delas foram consideradas em estado grave, a pior categoria.
A guerra civil no Iêmen, entre as forças do governo iemenita apoiadas pela Arábia Saudita e os militantes houthis apoiados pelo Irã, sofreu uma forte escalada após ter ficado praticamente congelada por um acordo de trégua de 2022.
A violência se intensificou ao longo das antigas linhas de frente nas últimas semanas, inclusive nos arredores da cidade de Taiz, no sudoeste, à medida que os houthis avançaram para o sul ao longo da costa do Mar Vermelho, provocando uma crise humanitária com mais de 133 mil pessoas deslocadas e algumas fugindo para a África através do Mar Vermelho.
Nas últimas três semanas, cerca de 71.000 crianças foram forçadas a deixar suas casas devido ao conflito, informou a Unicef.
Todos os dias, a Unicef registra mais casos de desnutrição infantil nas áreas às quais tem acesso, onde pessoas deslocadas internamente chegaram recentemente.
No entanto, a Unicef afirmou que essa é apenas uma amostra da situação que se desenrola em todo o país, onde se estima que 2,2 milhões de crianças menores de cinco anos sofram de desnutrição aguda este ano, com mais de meio milhão delas sofrendo de desnutrição aguda grave.
(Reportagem de Olivia Le Poidevin, em Genebra)
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