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‘Desisti de falar árabe aos 13 anos’

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Quando a Grã-Bretanha invadiu o Iraque em 2003, eu era um estudante de 13 anos em Londres. Meus pais, ambos iraquianos crescidos em Bagdá, estavam compreensivelmente mais afetados pela guerra do que eu estava. Diariamente, o noticiário soltava imagens de bombas destruindo nossa pátria, e minha mãe e meu pai temiam constantemente pela vida de parentes.

Este também foi o ano em que parei de falar árabe. Antes, eu tinha orgulho de ter a língua no meu cotidiano. Mas, no que crescia a “guerra ao terror” durante minha adolescência, eu criei uma aversão ao idioma. Eu cresci envergonhado de minhas raízes. Quando minha mãe me chamava em nossa língua nativa no portão da escola, eu corria e me escondia dos meus colegas. Quando garçons nos viam conversando em árabe, eu instantaneamente escondia meu rosto vermelho de vergonha. Eu cheguei ao ponto de gritar com meus pais: “Eu não sou árabe como vocês!”

Eu estava reproduzindo racismo e islamofobia dentro da minha própria casa. Catorze anos após a invasão britânica, as conotações negativas em torno da língua árabe tornaram-se ainda piores. Se um passageiro está lendo no idioma, provavelmente vai ter um lugar vazio ao seu lado. Se tem alguém falando árabe em um ônibus, as pessoas espiam nervosamente. E o equivalente islâmico ao “amém” — “Allahu Akbar” — é visto como um brado terrorista e não um termo sagrado.

A representação cultural é uma das respostas a esse problema. Personagens falando árabe na tela são geralmente vilões a serem destruídos. É triste, pois o árabe é um dos vernáculos mais graciosos e poéticos que existem. Hoje, me sinto violentado pela ideologia ocidental que me ensinou a demonizar minha própria língua.

Estou vagarosamente reconstruindo minha relação com o árabe. A única linguagem que nós temos que erradicar é a do extremismo, pois essa pode se desenvolver em qualquer cultura, e seu idioma é somente o ódio.

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