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Desgastada por Trump, Otan avalia encerrar prática de cúpulas anuais

Reuters
Desgastada por Trump, Otan avalia encerrar prática de cúpulas anuais
Desgastada por Trump, Otan avalia encerrar prática de cúpulas anuais

Por Humeyra Pamuk e Andrew Gray e Lili Bayer

WASHINGTON/BRUXELAS, 27 Abr (Reuters) - A Otan avalia encerrar sua prática recente de realizar cúpulas anuais, disseram seis fontes à Reuters, medida com o condão de evitar um encontro potencialmente tenso com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em seu último ano no cargo.

O governo de Trump tem se envolvido repetidamente em críticas mordazes a muitos dos outros 31 membros da aliança de defesa liderada pelos EUA, recentemente repreendendo alguns deles por não fornecerem mais assistência às operações militares dos Estados Unidos contra o Irã.

A frequência das cúpulas da Otan tem variado ao longo dos 77 anos de história da aliança, mas desde 2021 seus líderes têm se encontrado todos os verões (do hemisfério norte) e se reunirão neste ano na capital turca, Ancara, nos dias 7 e 8 de julho. Alguns membros, no entanto, pressionam pela diminuição do ritmo, disseram à Reuters uma autoridade europeia de alto escalão e cinco diplomatas, todos de países membros da Otan.

Um diplomata afirmou que a cúpula de 2027, a ser realizada na Albânia, deve ocorrer, mas a Otan considera não realizar o encontro em 2028 -- ano da eleição presidencial dos EUA e o último ano completo de Trump no cargo.

Outra fonte disse que alguns países defendem a realização de cúpulas a cada dois anos, acrescentando que ainda não foi tomada qualquer decisão e que o secretário-geral Mark Rutte terá a palavra final.

Em resposta à Reuters, uma autoridade da Otan afirmou que "a Otan continuará a realizar reuniões regulares de chefes de Estado e de governo e, entre as cúpulas, os aliados da Otan continuarão a consultar, planejar e tomar decisões sobre nossa segurança compartilhada".

Duas das fontes mencionaram Trump como um fator, mas várias disseram que há considerações mais amplas em jogo.

Diplomatas e analistas já vinham argumentando que cúpulas anuais criam pressão por resultados chamativos, o que acaba desviando o foco do planejamento de longo prazo.

"É melhor ter menos cúpulas do que cúpulas ruins", disse um diplomata. "De qualquer forma, temos muito trabalho pela frente; sabemos o que precisa ser feito."

(Reportagem adicional de Sabine Siebold)

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