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Deputados da Flórida trocam debate sobre armas por ‘ameaça’ da pornografia

WASHINGTON — A Câmara de Representantes da , em sessão nesta terça-feira, levou a plenário uma série de questões. Entre elas, uma lei para banir armas de assalto após o massacre na escola de Parkland, no estado, que deixou 17 mortos semana passada, e outra para considerar pornografia um problema de saúde pública. A Câmara não deu continuidade ao projeto de lei que restringia a venda de armas. No entanto, aprovou a resolução que considera a pornografia uma ameaça.

— Infelizmente, após apenas cinco dias do massacre, a Câmara da Flórida aprovou uma lei que declara pornografia uma “ameaça à saúde pública” — disse o deputado democrata Carlos Guillermo Smith ao “Independent”. — Basicamente, foram determinadas as prioridades republicanas para 2018: perder o nosso tempo debatendo e legislando sobre se pornografia é ou não uma ameaça à saúde, enquanto não conseguimos ter um debate sequer sobre qualquer coisa relacionada ao controle de armas. Isso é muito triste.

A sessão de terça-feira abriu com o democrata Kionne McGhee pedindo mudanças nos procedimentos que permitam à Câmara analisar o projeto de lei que proíbe armas de assalto. O texto já havia sido ignorado por outras três comissões parlamentares.

— Peço para que vocês analisem essa lei e debatam para que possamos combater os massacres. O último, em Parkland, exige ações extraordinárias — afirmou McGhee

A Câmara votou a moção em três minutos, com 36 votando a favor e 71 contra, enquanto sobreviventes do massacre acompanhavam do lado de fora.

— Foi muito triste ver tantos nomes de deputados ali, principalmente depois do que aconteceu na minha escola — disse Sheryl Acquaroli, de 16 anos, à CNN. — Foi tão sem coração como eles imediatamente votaram contra. Eles tiveram a chance de parar com isso hoje. Se houver outro massacre, a culpa será deles.

Menos de uma hora depois, o republicano Ross Spano apresentou sua resolução, argumentando que ver pornografia pode levar tanto a “doenças mentais e físicas” quanto a um “comportamento sexual desviante e problemático”.

Smith questionou Spano, perguntando se alguém já havia se tornado deficiente físico, ou procurado ajuda médica para lidar com estresse pós-traumático, por conta da pornografia.

— Você acredita que identificar pornografia como uma ameaça à saúde pública é mais importante que identificar armas como uma ameaça à segurança pública? Principalmente depois dos acontecimentos desta semana e de junho de 2016, quando 29 pessoas foram assassinadas na boate Pulse? — Smith perguntou.

Não há consenso científico em relação à pornografia. Enquanto alguns apontam que ela pode causar danos mentais, outros defendem que pode ajudar a aumentar o prazer sexual.

A Câmara aprovou a resolução por aclamação, para descontentamento da bancada democrata.

— Para ele, a pornografia enquanto problema de saúde pública é mais urgente do que a epidemia de violência e massacres. Estas são as prioridades. Eu não entendo os políticos, para ser sincero. Não tenho conhecimento de nenhuma base eleitoral que perca suas noites de sono com a epidemia da pornografia — disse Smith para a Associated Press.

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