SÃO PAULO, 20 Ago (Reuters) - A Czarnikow deverá elevar sua projeção para a produção de açúcar do centro-sul do Brasil na safra 2026/27 para uma faixa entre 39 milhões e 39,5 milhões de toneladas, após uma recente recuperação dos preços da commodity incentivar usinas a destinarem mais cana para a fabricação do adoçante, afirmou nesta quinta-feira Pedro Mizutani, diretor associado da consultoria e de serviços.
Há cerca de duas semanas, a Czarnikow havia reduzido sua estimativa para 38,5 milhões de toneladas, mas o avanço das cotações do açúcar deve levar a empresa a revisar novamente sua avaliação.
"O preço do açúcar subiu muito nos últimos 15 dias. Subiu praticamente 300 pontos nos últimos 15 dias e hoje está subindo mais 50 pontos", disse Mizutani, à Reuters.
Segundo ele, ainda há tempo para as usinas alterarem a estratégia industrial nesta temporada. "As usinas do Mato Grosso do Sul, Goiás, as usinas de Estados de fronteira já estão pensando em mudar o mix para essa safra. Então, provavelmente a gente vai devolver um mix maior no final dessa safra", afirmou. "Assim, eu acho que dá tempo de mudar."
Mizutani explicou que o açúcar passou a oferecer uma remuneração mais atrativa do que o etanol após a recente reação do mercado internacional. "Já está começando a ir mais para o açúcar porque o preço do açúcar melhorou muito mais do que o etanol nos últimos 20 dias", disse.
Com isso, a consultoria avalia que o percentual de cana destinado à produção de açúcar deverá aumentar nas próximas semanas. "Você já vai ver um mix mais açucareiro para as próximas semanas", afirmou o executivo.
De acordo com Mizutani, a alta dos preços foi impulsionada principalmente pela notícia de que a Índia poderá importar cerca de 1 milhão de toneladas de açúcar. "Foi essa notícia da Índia que fez com que o mercado voltasse a subir", disse.
O diretor também afirmou que o mercado ainda não precificou integralmente os riscos associados a um possível El Niño, que poderá trazer excesso de chuvas ao centro-sul entre setembro e novembro, prejudicando a etapa final da safra, além de reduzir as precipitações no início de 2027, período importante para o desenvolvimento da próxima colheita de cana.
Segundo ele, caso esse cenário se confirme, os preços do açúcar poderão registrar novas altas.
(Por Letícia Fucuchima; edição de Roberto Samora)




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