Início Mundo Cuba celebra os 50 anos da morte de Ernesto ‘Che‘ Guevara
Mundo

Cuba celebra os 50 anos da morte de Ernesto ‘Che‘ Guevara

Envie
Envie

HAVANA — Os cubanos homenagearam neste domingo o aniversário de 50 anos da morte de Ernesto “Che“ Guevara. É a primeira vez que a celebração acontece sem a presença de Fidel Castro, seu amigo e líder durante a Revolução Cubana morto em novembro do ano passado, que instituiu o 8 de outubro como dia do “Guerrilheiro Heroico”, apesar de Che ter morrido no dia 9 de outubro, na Bolívia.

A celebração acontece em Santa Clara, a 300 quilômetros de Havana, cidade capturada pelos rebeldes comandados por “Che“ em dezembro de 1958. A vitória é considerada decisiva para a derrota do ditador Fulgencio Batista e o triunfo de Castro, em 1º de janeiro de 1959. Com uniforme militar, o presidente cubano, Raúl Castro, participou da cerimônia, iniciada às 7h30 pelo horário local, num memorial em homenagem ao guerrilheiro.

Uma comitiva oficial cubana partiu no sábado para a Bolívia, onde uma série de atos comemorativos estão sendo realizados, com apoio e participação do presidente boliviano, Evo Morales. Fazem parte do grupo o comandante da Revolução Ramiro Valdés, que era muito ligado a “Che“ durante a campanha militar, e os quatro filhos do “guerrilheiro heróico”: Aleida, Celia, Camilo e Ernesto. O general Harry Villegas e o coronel Leonardo Tamayo também integra a comitiva.

Cerca de 70 mil pessoas participam da cerimônia em Santa Clara, entre eles está Luis Monteagudo, de 79 anos, que lutou ao lado de “Che“ Guevara no Congo. Vestido com uma camiseta branca com uma imagem de “Che“ em vermelho, Monteagudo contou à AFP que para ele “Che segue vivo por sua vida, sua obra e seu exemplo”.

Elena González, uma costureira de 56 anos, chegou ao local da cerimônia durante a madrugada.

— Sim, madrugamos, mas a ocasião é merecedora. Vamos render tributo a “Che“ e homenagear Ernesto “Che“ Guevara é renovar seu exemplo e perpetuar seu legado de independência e soberania para toda a América Latina e o mundo — disse ela.

No memorial de Santa Clara estão enterrados os corpos de “Che“ Guevara e outros membros da guerrilha liderada por ele na Bolívia, que foram entregues à Cuba em 1997. Os restos mortais dos rebeldes chegaram à ilha caribenha após passarem 30 anos enterrados secretamente num aeroporto militar, numa tentativa do governo boliviano de acabar com o mito criado na imagem do guerrilheiro.

Agora, os restos de “Che“ repousam com outros 20 de seus companheiros de guerrilha, entre eles os da alemã Tamara Bunke, a única mulher do grupo. O memorial tem uma estátua de bronze de “Che“ Guevara e um museu, que guarda objetos pessoais e fotografias do herói. A cerca de 50 metros estão dezenas de túmulos de homens que combateram sob seu comando no Congo e em Cuba.

— Fomos escolhidos entre muitos e é uma grande honra, um grande orgulho, rende homenagem ao Guerrilheiro Heroico em Santa Clara, um herói universal querido por tantos jovens no mundo — disse Amelio Mora, cadete de 16 anos que faz parte da guarda de honra da cerimônia.

Nascido em 14 de junho de 1928 em Rosário, na Argentina, Ernesto Guevara de la Serna era um jovem de família burguesa que estudou medicina e protagonizou uma histórica viagem de moto pela América do Sul com o amigo Alberto Granados. Ele trabalhava como fotógrafo no México quando conheceu Fidel Castro, que preparava embarcar para Cuba a bordo do Granma.

Após o triunfo de Fidel, Guevara foi ministro de Indústrias e presidente do Banco Nacional. Se casou com Aleida March, com quem teve quatro filhos. Antes de ir à Cuba, teve outra filha com a peruana Hilda Gadea: Hildita, falecida em 1995.

Siga-nos no

Google News