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Corte Internacional de Justiça diz que Israel deve garantir entrada de ajuda humanitária em Gaza

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Corte Internacional de Justiça, ligada às Nações Unidas, afirmou nesta quarta-feira (22) que Israel tem a obrigação de garantir que as necessidades básicas da população civil da Faixa de Gaza sejam atendidas.

O parecer foi emitido a pedido da ONU, que solicitou ao tribunal com sede em Haia, que esclarecesse as responsabilidades de Israel perante a organização e suas agências. A corte disse que Tel Aviv não deve usar a fome como "método de guerra" e precisa colaborar com as operações de ajuda humanitária coordenadas pela ONU, incluindo a UNRWA, responsável pelo atendimento a refugiados palestinos.

A CIJ destacou ainda que Israel não apresentou provas que sustentem seus argumentos de que funcionários da UNRWA teriam vínculos com o grupo terrorista Hamas. O governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu proibiu a agência de operar no território palestino devido às acusações.

"A corte considera que Israel tem a obrigação de aceitar e facilitar os planos de ajuda humanitária implementados pelas Nações Unidas e suas entidades, incluindo a UNRWA", declarou o presidente da CIJ, Yuji Iwasawa.

O tribunal também reiterou que Israel deve se abster de "usar a fome da população civil como método de guerra" —acusação negada por Tel Aviv. O parecer da CIJ não tem força legal, mas o tribunal afirmou que suas conclusões carregam "grande peso jurídico e autoridade moral".

Israel não participou das audiências. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, classificou o processo como "parte de uma perseguição sistemática e de uma campanha para deslegitimar Israel".

A decisão ocorre em meio à crise humanitária provocada pela ofensiva militar. O acordo de cessar-fogo, costurado pelos Estados Unidos, está sob risco de ruir, e Tel Aviv ameaçou cortar entrada de ajuda humanitária caso o Hamas não cumpra sua parte dos termos acertados.

O acordo de paz inclui o aumento da ajuda para o território, onde a maioria dos 2 milhões de palestinos tem sido deslocada de suas casas. O escritório humanitário da ONU afirma que Israel negou ou impediu 45% das 8.000 missões humanitárias solicitadas em Gaza desde 2023.

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