A boca de urna nas eleições na Alemanha aponta que os conservadores da aliança CDU/CSU, liderados por Friedrich Merz, vencem as eleições na Alemanha neste domingo (23), e que a extrema-direita, representada pelo AfD, registrou um avanço recorde, tendo o seu melhor desempenho desde a queda da Alemanha Nazista, ficando em segundo lugar. A apuração final dos votos seguirá até o fim da noite.
O resultado representa um duro golpe para o Partido Social-Democrata (SPD), do chanceler Olaf Scholz, que obteve cerca de 16%, o pior desempenho de sua história. Merz, conhecido por sua postura rígida contra a imigração irregular, busca formar uma coalizão para garantir maioria no parlamento. Seu principal desafio será negociar alianças para estabilizar o governo rapidamente.
Extrema-direita
A ascensão do AfD, que dobrou seu desempenho desde a última eleição, preocupa os demais partidos, que reforçaram a exclusão da legenda da coalizão governista. A líder do partido, Alice Weidel, celebrou o resultado como um marco para a extrema direita alemã, que conquistou votos inclusive em regiões tradicionalmente menos receptivas ao seu discurso.
O partido defende pautas como o fechamento das fronteiras, a saída da Alemanha da União Europeia e a deportação de cidadãos com etnias não alemãs. Apesar de sua postura ultraconservadora e anti-imigração, Weidel é casada com uma mulher de origem asiática, o que gera questionamentos sobre suas contradições ideológicas. A sigla já foi associada a discursos nazistas e é monitorada por órgãos de inteligência na Alemanha.
Internacionalmente, a AfD tem encontrado apoio entre figuras como Donald Trump e Elon Musk. O bilionário chegou a participar de um comício por videoconferência e concedeu uma entrevista ao lado de Weidel em sua plataforma, o X. O partido também se aproxima do trumpismo ao se colocar como uma força "conservadora" e "libertária" que, segundo eles, seria injustamente rotulada como extremista. Weidel tem tentado reescrever a história ao afirmar que Hitler era "de esquerda" e "socialista antissemita", minimizando os laços do nazismo com a extrema direita.
Vitória de conservador
Enquanto isso, Merz afirmou que pretende formar um novo governo "o mais rápido possível", diante das incertezas políticas e econômicas na Europa.
A vitória da CDU/CSU não garante automaticamente que Friedrich Merz será o novo chefe de governo, pois o sistema parlamentarista alemão exige que o partido vencedor consiga apoio suficiente para formar maioria no Parlamento. Como a sigla não atingiu esse número sozinha, precisará negociar alianças, um processo que pode levar meses e, se fracassar, resultar em novas eleições. Merz disse que não compactuaria com a AfD, mas suas declarações sobre imigração geraram dúvidas de uma possível mudança de posicionamento. Após a boca de urna, ele defendeu a rápida formação de um governo.

