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Conheça oito estratégias usadas na Europa para relaxar a quarentena

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BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - "É como andar na corda bamba. Se ficarmos parados, podemos cair. Se formos rápidos demais, aumentamos o risco de dar tudo errado em breve", disse a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, sobre a decisão de reabrir nesta quarta (15) as escolas primárias, fechadas há um mês para combater a pandemia de coronavírus. Na corda bamba com a Dinamarca estão outros nove países que nos últimos dias começaram a relaxar suas medidas de quarentena ou marcaram datas para isso (Eslováquia, República Tcheca, Áustria, Itália, Espanha, Noruega, França, Bélgica e Polônia). Nesta quarta, espera-se que eles ganhem a companhia da maior economia do bloco, a Alemanha. Um relatório feito pela principal academia científica do país recomendou uma retomada gradual das atividades. Também nesta quarta, a Comissão Europeia apresenta um roteiro sobre como começar a voltar à vida pré-coronavírus. O texto, obtido pela reportagem, traz orientações para guiar os países, mas ainda é deles a responsabilidade de tomar decisões. Veja aqui oito estratégias adotadas pelos governos para não despencar no caminho. 1 - Um passo de cada vez Restrições que antes eram para todos passam a valer só para alguns. Idosos e doentes, que foram os primeiros a serem proibidos de sair de casa em vários países, devem ser os últimos a voltar às ruas, avisou na noite de segunda o presidente da França, Emmanuel Macron. As atividades também não voltam numa tacada só. A Espanha começou por fábricas, a Itália pelas madeireiras, algumas lojas foram o primeiro passo de Eslováquia, Áustria e República Tcheca, e Dinamarca, França e Noruega vão começar pelas creches e escolas. No Reino Unido (ainda longe de sonhar com um relaxamento), a ideia é retomar primeiro o trabalho em setores considerados vitais para a economia, como as indústrias, e deixar para depois os menos críticos, como entretenimento. Uma abordagem regional foi implantada na Itália, que, nesta terça (14), permitiu a reabertura de papelarias e lojas de roupas e artigos para crianças. A medida não vale para a Lombardia, região mais atingida pelo coronavírus. No vizinho Vêneto, que controlou mais rapidamente a pandemia, o relaxamento foi mais amplo e derrubou a distância máxima de 200 metros de casa para exercícios físicos. 2 - Em time que está ganhando... não se mexem em medidas de prevenção, como higiene das mãos, uso de luvas e de máscaras. De preferência, elas devem ser reforçadas para permitir a retomada. Com a reabertura das fábricas, a Espanha passou a distribuir máscaras no transporte público. Na Áustria, República Tcheca e Eslováquia, é obrigatório usar máscaras e higienizar as mãos. Os estabelecimentos tchecos também precisam controlar todos os dias a temperatura de seus funcionários. 3 - Igual, mas diferente As instituições reabrem as portas, mas suas estruturas serão adaptadas. A França anunciou que reduzirá o tamanho das turmas nas escolas e reescalonará horários para reduzir contatos. Nos países em que lojas voltaram a funcionar, há um limite para o número de clientes: 1 a cada 20 metros quadrados, no caso da Áustria, ou um mínimo de 2 metros de distância, na República Tcheca. 4 - Na cola do vírus Quanto maior a possibilidade de encontrar e isolar novos casos, mais liberdade pode ser concedida. Áustria, Alemanha, França e Macedônia estão entre os países que desenvolveram aplicativos para rastrear e avisar os contatos de quem for contagiado pelo coronavírus. Em todos eles, o uso é voluntário, e a eficácia da estratégia vai depender da adesão --mas uma pesquisa mostrou que na Alemanha mais de 80% se disseram interessados em trocar alguma privacidade por mais liberdade de ir e vir. A estratégia também depende da capacidade de testar a população para encontrar o vírus, o que Alemanha e Áustria já têm. O objetivo é rastrear mais de 80% das pessoas com quem um doente teve contato em até 24 horas depois do diagnóstico. Isso permite reduzir de três para um o número de pessoas para quem cada infectado transmite o vírus, segundo o governo alemão. Na Áustria, um programa constante de testes por amostragem aleatória vai permitir calibrar a retomada das atividades. Casos confirmados de coronavírus serão isolados, e os contatos, monitorados. 5 - Mão no freio Os governos da Áustria e da França disseram publicamente que existe a possibilidade de acionar um "freio de emergência" para parar ou mesmo reverter o relaxamento, se houver um repique importante do contágio. Na Eslováquia, primeiro país a reabrir algumas lojas, o Ministério da Saúde acompanha a evolução dos números para decidir se amplia o relaxamento ou volta a restringir a movimentação. Neste final de semana, o governo tcheco também alertou a população de que pode reapertar as medidas se a transmissão voltar a subir. 6 - Passaporte para a liberdade Alemanha, Áustria e Reino Unido são alguns dos que mantêm a esperança de identificar, com testes de anticorpos, quem está seguro para retornar ao trabalho não essencial fora de casa. O problema é que nem todos os doentes que se recuperaram desenvolveram anticorpos, nem todos os testes para anticorpos são confiáveis e ainda não se sabe se a presença de anticorpos garante a imunidade. Enquanto se espera uma resposta mais segura das pesquisas científicas, a Alemanha fará um estudo com 100 mil participantes, para detectar anticorpos. Os médicos também avisam que um "passaporte de imunidade" pode dar a seus portadores uma falsa segurança, deixando-os mais vulneráveis ao contágio. 7 - Quarentena inteligente Em alguns países, como a República Tcheca, esta é uma estratégia pós-quarentena; em outros, como a Holanda, é uma tentativa de evitar o lockdown. A ideia é reduzir ao máximo as restrições, para evitar custos sociais, econômicos e psicológicos das medidas de isolamento social e facilitar a retomada. Na Holanda, parte do comércio não essencial - floriculturas, lojas de brinquedo - continuou aberto, com restrições de higiene e ocupação. A agência holandesa de saúde pública lançou um estudo para verificar se já há uma porcentagem significativa de pessoas expostas ao vírus, o que reduziria a velocidade de transmissão e permitiria uma retomada mais ampla das atividades. Mas a busca pela chamada "imunidade de rebanho" já se mostrou desastrosa no Reino Unido e impraticável na Áustria e na Alemanha, onde estudos apontam para uma taxa baixíssima de infecção. 8 - A única solução A descoberta de uma vacina viável é a única forma de voltar ao normal, dizem as organizações de saúde e os epidemiologistas. Governos do mundo todo estão redobrando esforços para apressar essa conquista, mas ela deve levar mais de um ano. Em paralelo estão os testes para descobrir medicamentos que combatam o coronavírus de forma eficiente e reduzam sua mortalidade.

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